finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Imobiliárias são as mais castigadas na Bolsa

Perda das 33 companhias listadas já atingiu R$ 47 bilhões este ano

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

No fim do ano passado, 16 das 21 empresas imobiliárias do segmento residencial valiam, cada uma, mais de R$ 1 bilhão na bolsa. Na quarta-feira, o clube das bilionárias tinha só três membros: Cyrela, Gafisa e MRV. Em pouco tempo, o setor foi do céu ao inferno. As 33 companhias listadas na Bovespa - incluindo o segmento corporativo, industrial e de shopping centers - perderam R$ 47 bilhões em valor de mercado no período, segundo a empresa de informação financeira Economática. Foi o setor mais castigado no pregão. Os números, tanto os antigos quanto os atuais, são considerados exagerados, mas refletem a frágil situação de caixa de algumas dessas companhias, a falta de crédito e a desaceleração na compra de imóveis. A solução foi reduzir o número de lançamentos, demitir e dar descontos. "São atitudes coerentes", afirma João da Rocha Lima Júnior, coordenador do Núcleo de Real Estate da Poli/USP. "A situação anterior - inchar e comprar terreno sem planejamento estratégico e financeiro - é que era incoerente."Contrariando as previsões, o número de lançamentos em 2008 deve só repetir o de 2007. Em São Paulo, pode haver até redução, segundo cálculos da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). No ano passado, a Cyrela chegou a calcular que esse número alcançaria R$ 50 bilhões, 40% superior ao de 2007, que já havia sido um ano histórico. Para Elie Horn, presidente da Cyrela, esse não é "momento para heróis". A maior incorporadora do Brasil não foge à regra: demite, reduz os prazos de pagamentos e adia lançamentos - o número caiu de R$ 7 bilhões para R$ 5,25 bilhões. "Resolvemos parar para ver o que vai acontecer. Não queremos ser muito agressivos neste momento." Há um ano, a Cyrela valia R$ 8,6 bilhões na bolsa. Na quarta-feira, R$ 2,2 bilhões. A InPar foi a primeira a fazer uma revisão drástica. A decisão já apareceu nos números do terceiro trimestre, quando ela pôs R$ 40 milhões no mercado, ante R$ 381 milhões do mesmo período de 2007. Na última semana, a incorporadora anunciou um corte de 100 funcionários. Seu valor de mercado hoje é de R$ 135,8 milhões. A queda, uma das piores da bolsa, acabou atraindo fundos de investimentos estrangeiros interessados em comprar o controle da incorporadora. As negociações estão em fase avançada.Nos tempos de euforia, a Gafisa chegava a analisar 100 terrenos para comprar por semana. A companhia ainda não ajustou os planos, mas cogita fazê-lo se for necessário. "Começamos a sentir mais cautela nas decisões de compra", disse o presidente da Gafisa, Wilson Amaral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.