Imóveis: bancos esperam novas regras para o SFI

A expectativa de o governo federal editar uma Medida Provisória que defina o modelo de crédito habitacional pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) é uma das justificativas para que muitos bancos tenham suspendido suas linhas de financiamentos. Miguel Oliveira, presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administrações e Contabilidade (Anefac), acredita que os bancos preferem reabrir suas linhas de créditos pelo SFI pelo fato de ter juros mais livres e a garantia da alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em até três meses, em caso de inadimplência.Os contratos pelo SFI possibilitam as negociações de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) no mercado financeiro. O modelo, no Brasil, existe desde 1997, mas ajustes nas leis de alienação fiduciária e afetação do patrimônio - que garante a entrega do imóvel ao comprador, no caso de a construtora falir - retardam a adoção do SFI em todos os contratos de financiamento. Bancos e construtoras garantem que com o SFI se tem mais recursos para a produção imobiliária e créditos para a aquisição da casa própria. Nos Estados Unidos, esse sistema movimenta trilhões de dólares.O diretor da Brazilian Mortgages, Rodrigo Machado, não acredita que a espera pela aprovação do SFI seja o único motivo que fez com que os bancos suspendessem suas linhas de crédito. Para ele, existem outros problemas de ordem conjuntural e estrutural que justifiquem a recusa do crédito. "Para alguns bancos, oferecer outros produtos com taxas de juros mais atraentes é mais interessante. Nem todos têm na carteira de crédito imobiliário um grande fidelizador de clientes."O empresário Basílio Jafet, vice-presidente de incorporações do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) acredita que essas medidas de suspensão dos financiamentos habitacionais sejam provisórias, pois há demanda para o crédito. "Se há a possibilidade de novas regras, é natural que se recue para reavaliar os empréstimos", afirma.Mas se a situação perdurar por mais tempo, poderá ocorrer a grande probabilidade de as construtoras assumirem o papel de agentes financiadores, como ocorreu no início do Plano Real. "E isso não é nada positivo para o setor", comenta Jafet. Espera-se ainda para esta semana a medida provisória que regulamente o SFI.

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