Imóveis de alto padrão voltam a seduzir construtoras

Após investimentos no Minha Casa, Minha Viva, empresas retomam projetos para o segmento de maior renda

SÃO PAULO / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h06

Passada a fase de grandes investimentos ligados ao programa Minha Casa, Minha Vida, que fez muitas empresas apostarem forte em imóveis para a baixa renda, o segmento de alto padrão volta a seduzir construtoras e incorporadoras de peso, além de entrantes no mercado.

De um lado, as empresas demonstram otimismo com o aumento da renda média dos brasileiros. De outro, readequam estratégias após lidarem com grandes estoques de imóveis para vender no segmento de baixa renda, frutos do cancelamento de contratos.

Os lançamentos dos imóveis de alto padrão - que chegam a superar R$ 10 mil por metro quadrado em alguns municípios - se concentram nas duas maiores cidades do País, onde a disputa por espaços é acirrada em bairros como Ipanema e Leblon, no Rio, e Moema, Jardins e Pinheiros, em São Paulo.

"A demanda por empreendimento de alto padrão ainda tem muito a crescer, por causa do visível aumento da renda no Brasil e do crescimento dessa fatia da população", disse o vice-presidente financeiro da Cyrela, José Florêncio. Nos últimos cinco anos, o segmento representou, em média, 33% dos lançamentos da empresa.

A PDG Realty, que tradicionalmente tem nesses imóveis cerca de 15% de seus lançamentos, avalia expandir atuação, ingressando em Belo Horizonte e em Brasília com os imóveis de alta renda. "Existe plano para isso, sim, para o ano que vem", disse o vice-presidente de incorporações, Antonio Guedes. A empresa ainda terá de adquirir terrenos para os projetos. "Ele (segmento de alta renda) é importante para agregar valor à marca, dá margens boas."

A margem bruta do setor de alta renda é de 30% a 35%, enquanto os empreendimentos dentro do programa Minha Casa, Minha Vida é de 20% a 25%, de acordo com um analista que preferiu não ser identificado.

O otimismo de construtoras e incorporadoras com o setor contrasta com o ambiente econômico - o PIB brasileiro ruma para o terceiro ano de crescimento abaixo de 3%. Para as companhias, o ânimo se apoia no movimento de crescimento da renda das famílias e em números recentes do setor.

Segundo o Secovi-SP, o mercado de imóveis residenciais novos na capital paulista teve a maior alta de vendas e lançamentos para o mês de abril desde 2004, de 73,8% em relação a abril de 2012. A incorporadora americana Related Brasil, que chegou ao País em fevereiro de 2012, quando o boom imobiliário já dava sinais de estafa, lançará este ano dois empreendimentos residenciais em São Paulo com Valor Geral de Vendas de R$ 1,4 bilhão, cobrando de R$ 9 mil a R$ 18 mil pelo metro quadrado. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.