Imóveis: decisão da CEF pode mexer com preços

A saída da Caixa Econômica Federal (CEF) do mercado de crédito imobiliário para a classe média pode provocar algumas conseqüências para o segmento de imóveis. De acordo com o diretor da Cushman & Wakefield, Paul Weeks, no curto prazo, a tendência é de uma diminuição da demanda por financiamento imobiliário, já que a CEF é a instituição mais atuante neste mercado. Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP) revelam que a participação da CEF no mercado de crédito imobiliário passou de 33% no primeiro semestre de 2000 para 59% no mesmo período deste ano. Frank Ernani de Souza, da área de crédito imobiliário do BankBoston, acredita que estes números podem mudar. "A expectativa do banco é de um aumento no volume da carteira de crédito imobiliário, já que se espera uma procura maior a partir de agora". Ele conta que o Boston tem R$ 930 milhões de depósitos em caderneta de poupança. Deste total, segundo as regras do Banco Central (BC), 65% devem ser direcionados para o crédito imobiliário. "Hoje apenas R$ 200 milhões estão emprestados, o que significa que o banco tem à disposição mais R$ 605 milhões para serem concedidos em crédito."Preço dos imóveis pode ser afetadoWeeks chama a atenção para outra provável conseqüência: "No curto prazo, também o preço dos imóveis pode ser afetado. Isso acontece se há uma diminuição da demanda por parte de quem busca crédito para a compra da casa própria". Mas o especialista alerta que esta perspectiva pode ser frustrada se os donos dos imóveis relutarem em seguir a ordem natural de oferta e demanda. "Neste caso, no máximo, os preços ficarão estáveis", afirma.O diretor da Brazilian Securities, Fernando Cruz, concorda com a expectativa do diretor da Cushman & Wakefield. "Neste mercado, há muita relutância para alteração nos preços. O proprietário avalia que o bem tem um valor, que ele considera justo, e não o reduz simplesmente pelas condições do mercado", diz. No médio e longo prazo, para Weeks, pode acontecer uma diminuição no número de lançamentos de imóveis. "Os grandes construtores terão uma disposição menor em investir em novas obras, caso a demanda seja, de fato, reduzida pela saída da CEF ", explica. Mas, segundo Weeks, isso vai depender do comportamento da demanda nos próximos meses.

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