Imóveis do Banco Econômico vão a leilão

94 imóveis do banco, que quebrou em 1996, estão à venda; recursos vão para dívidas

DANIELA AMORIM, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h04

O Banco Econômico, que passou por liquidação judicial em 1996, está leiloando 94 imóveis pela internet, com lances iniciais que variam de R$ 12,9 mil a R$ 312 mil. O pregão inclui lojas e residências espalhadas por sete Estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro e Pará.

O leilão é organizado pelo site Superbid (www.superbid.net), especializado na gestão da venda de ativos para empresas. Os lotes permanecem abertos para lances até o próximo dia 30, com encerramento previsto entre 14h e 15h33, dependendo do imóvel ofertado. "Esperamos arrecadar cerca de R$ 1,5 milhão com o leilão", contou Pedro Barreto, sócio do Superbid.

O imóvel mais caro é uma casa de um conjunto residencial em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. Com terreno de 130 metros quadrados, o valor de partida é de R$ 312 mil. Outra casa em Campinas, num terreno de 317 metros quadrados, tem lance inicial de R$ 204 mil.

Entre as pechinchas, está outra casa em São Carlos, em terreno de 150 metros quadrados, por R$ 62,4 mil. Em Campinas, uma residência em 140 metros quadrados está à venda com preço inicial de R$ 68 mil.

Barreto acredita que os compradores paguem até 35% a mais do que o lance inicial pedido nos imóveis residenciais e comerciais. No entanto, a expectativa é que apenas 25% dos lotes ofertados sejam vendidos. Os imóveis restantes devem voltar a leilão posteriormente, com preços ainda mais baixos.

"A expectativa de venda não é tão alta porque a maioria dos imóveis está ocupada, o que não é um atrativo para os compradores", lembrou Barreto.

Dos 94 lotes colocados à venda, apenas quatro estão desocupados. Alguns anúncios ainda trazem aviso sobre ações em andamento na Justiça por usucapião, em que o morador consegue o direito de propriedade do imóvel com base no uso por um longo período de tempo.

"Você precisa medir se o desconto no preço, que na média vai de 20% a 40% em leilões, vale o esforço que você vai empreender. Porque é o comprador que terá o ônus da reintegração de posse", alertou o advogado Franco Brugioni, especialista em direito civil/imobiliário, do escritório Raeffray Brugioni Advogados.

Brugioni lembra que, se o comprador tem interesse em morar no imóvel em questão, o melhor é escolher um que já esteja desocupado. "É muito comum que o morador demore a sair. Quando sai, o imóvel provavelmente está detonado, então o que você fez de economia na compra terá de gastar na reforma. Essas pessoas também costumam deixar de pagar as contas, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), o condomínio. Tem de ver se não tem dívida", acrescentou.

No caso de imóveis envolvidos em ação por usucapião, o comprador ainda corre o risco de perder o bem na Justiça. Barreto confirma que é recomendável que os possíveis compradores contratem um advogado para verificar a situação do imóvel de seu interesse. "Como são lotes em sua maioria provenientes de ações de execução, os interessados precisam ter uma atenção especial, porque estão há muitos anos na carteira do banco", confirmou o sócio do site de leilões.

De acordo com Brugioni, o dinheiro arrecadado com o pregão tem como destino a massa falida do banco, principalmente para o pagamento de credores e dívidas trabalhistas, o que torna a recuperação do dinheiro ainda mais difícil em caso de problemas na reintegração de posse.

Quebra. Com sede em Salvador, o Banco Econômico foi fundado em 1834. A instituição financeira quebrou depois da implantação do Plano Real. O banco era o mais antigo do Brasil quando sofreu intervenção pelo Banco Central, em 1995. Sua liquidação foi decretada no ano seguinte. Em setembro do ano passado, o balanço da empresa apresentava um patrimônio negativo de R$ 765 milhões.

Os interessados no leilão podem visitar os imóveis que estão à venda mediante agendamento prévio. O resultado do pregão será processado eletronicamente.

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