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Imóveis salvam o resultado da Macy’s

Varejista vem perdendo espaço para rivais como a Amazon, mas segura resultado com aluguel de prédios suntuosos

Michael Corkery, The New York Times

27 de novembro de 2017 | 05h00

A parada do Dia de Ação de Graças da Macy’s é uma tradição que veio para ficar. Mas a companhia, que patrocina o desfile há quase um século, vem sendo testada como um balão do Bob Esponja no meio de um vendaval. Combalidas pela comércio eletrônico, as vendas da rede de lojas caíram por 11 trimestres consecutivos e suas ações perderam 14% só neste ano.

Para consumidores e investidores, a mágica da loja de departamentos se esvai numa em que a entrega de produtos comprados online é rápida e gratuita. Esse não é um problema só da Macy’s, mas também de outras lojas físicas semelhantes. 

O que ainda sustenta a Macy’s são os imóveis – uma vasta rede de mais de 600 lojas em todo o país, avaliada em US$ 16 bilhões. É mais do que o valor de mercado da empresa em si, que hoje está em US$ 6,4 bilhões. Muitas das lojas mais antigas são o sonho de todo incorporador imobiliário – espaços extraordinários, de fachadas refinadas no centro das grandes cidades americanas.

A loja principal da Macy’s está na Rua 34, em Nova York, e tem valor estimado em US$ 3,3 bilhões. A companhia não tem planos de vender o prédio, no qual foram gastos R$ 400 milhões em uma renovação feita entre 2002 e 2016. 

Em outras cidades, a situação é diferente – a Macy’s vem desistindo de parte de seu espaço ou até de edifícios inteiros. Em Portland, Oregon, uma loja da Macy’s em breve abrigará um espaço de escritórios, um café e uma academia de ginástica. 

Talvez o mais evidente indicador dessa mudança seja a transformação de grande parte da loja da Macy’s, em Seattle em espaço de escritórios. O novo inquilino será a Amazon – a força que vem atrapalhando a vida da Macy’s e de outras lojas físicas. A Amazon se mudará para o edifício já em 2018.

A Macy’s também está vendendo os andares superiores do prédio da State Street, em Chicago. A ideia é criar uma loja “mais produtiva”. No entanto, qualquer reformulação do prédio, que foi da antiga Marshall Fields, é delicada. A loja tem espaços preciosos que remontam à época de ouro do varejo, como o teto abobadado da Tiffany e o restaurante do Walnut Room.

Em meio à discussão sobre a reestruturação da loja, a Macy’s fez questão de informar, em um comunicado, que “jantar no Walnut Room, fazer compras sob a cúpula da Tiffany e marcar encontros sob os grandes relógios do local ainda são tradições prezadas pelos moradores de Chicago e por turistas”.

Dificuldades. Embora os prédios antigos urbanos da Macy’s mantenham sua grandeza e valor, a tarefa mais difícil é saber como reduzir os espaços das suas lojas em áreas mais afastadas, como as de shopping centers. Em janeiro a loja listou mais de 60 lojas a serem fechadas – muitas delas em centros de compras como em Alexandria, na Virginia.

O fechamento de lojas e outras medidas de economia permitirão à empresa investir US$ 250 milhões ao ano em suas operações online e em outras estratégias de crescimento. A expectativa é que em torno de 3,9 mil empregados sejam demitidos. No longo prazo, a loja de Alexandria integrará um enorme projeto comercial. Mas, nos próximos dois anos, servirá como um abrigo de pessoas sem-teto, com 60 leitos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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