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Imóvel decorado só para Dilma ver

Depois de evento com a presidente, construtora retirou eletrodomésticos do apartamento

Luísa Martins, enviada especial, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 05h00

CAXIAS DO SUL - Quando a presidente Dilma Rousseff chegou ao apartamento do casal Adriane e Eliel Silveira na manhã de segunda-feira, eles se orgulharam em mostrar fogão, televisão, máquina de lavar, geladeira. Diziam, envaidecidos, ter ganhado todos os eletrodomésticos da construtora. Porém, bastou a ilustre visita ir embora para que quase toda a decoração fosse retirada – um desconsolo para os novos moradores do residencial Campos da Serra, um dos mais recentes empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida.

A empresa Arcari Empreendimentos, responsável pelas obras do condomínio de 320 apartamentos, afirma que foi tudo um mal-entendido. “Não tínhamos compromisso, nem documento assinado, de que teríamos de entregar um imóvel decorado”, diz a advogada Francielle Arcari, do departamento jurídico, informando que, “mesmo não tendo responsabilidade”, comprou novos equipamentos para a família, “para encerrar o assunto”.

Segundo Silveira, “um rapaz da construtora” garantiu que tudo o que estava ali, dentro daqueles 49,22 m², “era um presente”. Eles foram os escolhidos para mostrar à presidente uma das unidades do residencial. Depois, simbolicamente, representaram todas as famílias beneficiadas ao subir ao palco da cerimônia, apertar as mãos das autoridades e receber da presidente as chaves do novo lar.

A Agência Caixa de Notícias, da Caixa Econômica Federal, publicou texto no início da tarde de ontem afirmando que o filho do casal, Felipe, de quatro anos, “não conteve a alegria ao entrar em sua futura casa e ver que lá já estavam todos os móveis e eletrodomésticos”. O menino, conforme o texto, apontou para a escrivaninha no quarto e contou: “É aqui que vou estudar”.

A construtora disse que foi pega “de surpresa” com a agenda de Dilma e “não mediu esforços” para deixar o apartamento apresentável à presidente, sem nenhuma promessa de que os equipamentos permaneceriam com o casal. A advogada afirmou ao Estado que os eletrodomésticos nem sequer funcionavam – foram emprestados por uma loja parceira.

Questionado pela reportagem, o Palácio do Planalto não quis comentar e direcionou o pedido à Caixa e ao Ministério das Cidades. Em nota, a Caixa e o ministério ressaltaram que os móveis e um papel de parede permanecem no imóvel. Também confirmaram que a Arcari providenciou a reposição dos eletrodomésticos. Porém, quando o caminhão chegou para entregá-los, ontem à tarde, a família não estava na residência, segundo a Caixa. Mas a entrega foi feita no início da noite de ontem.

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