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Impacto climático reconfigura produção de energia

Cenário perene de escassez obriga a um novo balanço entre fontes térmicas e eólicas

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 11h52

O cenário atual oferecido pelos cientistas do clima não permite muitas divergências. A realidade no centro do Brasil, entre partes do Sudeste e do Centro-Oeste, indica que as chuvas escassas vieram para ficar. O que faz com que, no curto prazo, a dependência do sistema energético nacional em relação às termoelétricas – usinas essenciais, mas que também poluem o ambiente em comparação com as fontes hidrelétrica, eólica e solar – seja enorme.

“Está claro que houve uma redução nas chuvas na região central do Brasil e a tendência é que esse processo se agrave mais nos próximos anos”, afirma Pedro Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. O que ocorre, explica o pesquisador, está muito relacionado com o desmatamento amazônico.  

“Goiás e Minas Gerais dependem praticamente dos chamados rios voadores que são empurrados pelos ventos da Amazônia. Na região central do País é onde estão as hidrelétricas grandes geradoras de energia como Furnas, Emborcação, Serra da Mesa e Nova Ponte”, afirma o especialista da USP. Como o desmatamento tende a fazer com que grandes áreas da Amazônia virem uma espécie de savana, a umidade exportada hoje para o Brasil Central será cada vez menor. “No curto prazo, o cenário não deve mudar. O Brasil estará dependente das termoelétricas”, diz Côrtes. Esse tipo de geração de energia foi a escolha feita por vários governos depois da crise de energia registrada no início dos anos 2000.

“As termoelétricas são empreendimentos mais fáceis de serem realizados do que as hidrelétricas e foram pensadas para dar uma resposta muito mais rápida. Além de reduzir o custo com linhas de transmissão por serem construídas mais perto dos centros de consumo.”

Se no curto prazo o cenário está dado, a questão é saber em quanto tempo as fontes renováveis, como a eólica, vão conseguir contrabalançar a produção das térmicas, hoje fundamental para o Brasil, apesar de ser poluente.

“A capacidade instalada das usinas eólicas atualmente corresponde à metade da capacidade instalada das termoelétricas. Dentro de 10 anos, mais ou menos, as duas capacidades devem estar equivalentes. Mas as usinas termoelétricas são feitas para durar um bom tempo e elas não serão desativadas de forma efetiva tão cedo”, segundo Côrtes.

Nesse processo de transição, apontam os especialistas, é  que o gás natural deve ser usado para, ao menos, atenuar um pouco a emissão de carbono do setor energético.

Entre as fontes fósseis de energia, o gás natural é considerado o menos sujo porque ele gera uma queima mais completa do carbono. Mesmo assim, a contribuição do gás natural para as emissões nacionais de dióxido de carbono não é desprezível. “Essa fonte poderia ser uma resposta se as termoelétricas fossem instaladas próximas das linhas de transmissão e da rede de gasodutos, o que nem sempre ocorre. Não é uma equação simples de se resolver”, explica o professor da USP. Para o consumidor, dentro desse cenário, a energia também tende a ficar mais cara, pelo menos no curto prazo, por causa do acionamento cada vez mais constante das termoelétricas.

 

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