Impacto da alta do dólar na inflação diminuiu, diz BC

Política do governo para os combustíveis e redução da indexação nos contratos tornaram peso do dólar 'irrelevante'

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h06

A política de preços para os combustíveis adotada pelo governo e a revisão na forma de correção de contratos públicos tornaram "irrelevante" o impacto da variação do dólar sobre a inflação de produtos e serviços administrados, como telefone e energia elétrica. "Não que seja zero, mas a influência é estatisticamente não significativa", disse o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar estudo sobre o tema.

Até um ano atrás, o BC ainda identificava influências diretas e indiretas do câmbio sobre esses preços. Agora, o impacto direto se tornou insignificante e o indireto, como no caso da correção por índices de preços mais sensíveis à variação do dólar, como o IGP-M, ficou menor. "Antes era tudo indexado. Tinha até contrato com correção prevista pela variação cambial", afirmou.

Além de alterações em contratos, outro fator que contribuiu para o movimento, na opinião de Araújo, foi a mudança de comportamento dos brasileiros. "No passado, toda mudança no câmbio era para cima e entendida como permanente. Agora, as pessoas não estão vendo dessa maneira."

A política recente de reajuste dos preços dos combustíveis no País também colaborou para evitar um repasse automático. "No caso da gasolina e do gás de cozinha, não se encontrou correlação histórica entre os preços internacionais e os preços domésticos de realização, provavelmente em razão da política de reajustes vigentes nos últimos anos para o setor", diz o BC.

Desde o governo Lula, a alta de preços externos do petróleo e a variação cambial são amenizadas pelo não acompanhamento no mercado interno dessa volatilidade e também por ferramentas que anulam o efeito para o consumidor final, como a redução para zero da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre os combustíveis, anunciada na sexta-feira.

No caso dos preços livres, isto é, que são definidos pelo mercado, o esforço do governo em desvalorizar o real já começa a surtir efeitos sobre a inflação, como identificou Araújo. Por enquanto, essa alta passou a ser vista apenas nos indicadores que medem a variação dos preços no atacado. Vale lembrar que, historicamente, esses impactos costumam chegar posteriormente para o consumidor./ C.F., E.C. e F.N.

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