Impacto da energia indexada ao dólar

A medida provisória (MP) feita pelo Governo permitindo o repasse trimestral da variação do dólar aos preços do fornecimento de energia ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. Entretanto, já existem especulações sobre o impacto da indexação das tarifas de energia.Segundo o governo, o objetivo da MP é atrair investimentos para o setor de energia, que precisa ser ampliado com a construção de usinas termelétricas. A justificativa é que as termelétricas dependem da importação de insumos. Assim, assegurando o repasse trimestral da oscilação do dólar aos preços do fornecimento de energia por essas usinas, o governo garante investimentos estrangeiros no setor. Para o secretário da Comissão de Serviços Públicos de Energia do Estado de São Paulo (CSPE), Zevi Kanm, a MP pode prejudicar a realização das metas de inflação se passar pelo Congresso. "Não existe consenso de que esse seja o melhor caminho para promover a construção das termelétricas. Essa indexação ao dólar levaria a outros reajustes, que se atrelariam novamente à moeda americana", diz. "A solução mais adequada seria lançar uma espécie de fundo que se adequasse à necessidade".Analisando a situação do consumidor de energia, o secretário da agência reguladora paulista acredita que o impacto não será significativo. "Considerando exclusivamente no preço das tarifas de energia das termelétricas, esse aumento não seria sentido pelo consumidor final. Mesmo que sejam construídas todas as 49 termelétricas, elas corresponderiam a apenas 10% da capacidade de energia elétrica instalada no País", esclarece Kanm.Oferta de investimentos não pode cessarSegundo o economista Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), a aprovação da MP não terá reflexo muito significativo. "Não vejo essa decisão como um fator de risco para o consumidor. Isso só seria preocupante se o câmbio ainda estivesse sendo controlado e pudesse sofrer uma desvalorização expressiva", explica. "Agora, o importante é não atrasar os investimentos".Entretanto, o coordenador da Fipe acredita que o repasse trimestral é desnecessário. "Mesmo alterando o tipo de indexação, o governo poderia manter a periodicidade do reajuste. Isso não alteraria significativamente o risco do investidor", afirma.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2000 | 17h34

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