AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO
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Impacto da greve no PIB deste ano será de R$ 15 bi, calcula FGV

Instituição prevê um recuo de 0,2% no crescimento do PIB de 2018; efeitos da paralisação são piores para indústria de transformação e finanças públicas

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 20h41

BRASÍLIA - A coordenadora do boletim de macroeconomia do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, Silvia Matos, previu impacto da greve dos caminhoneiros em cerca de R$ 15 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Segundo ela, um recuo de 0,2% na previsão de crescimento do PIB.

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Em entrevista ao Broadcast, a pesquisadora do Ibre destacou que esses dados são preliminares. Uma preocupação adicional agora, disse ela, é o com impacto sobre a confiança e a capacidade de reação da economia.

Pelas novas previsões, o PIB brasileiro deve ter alta de apenas 1,9% este ano. A estimativa anterior era de alta de 2,3%. A nova previsão também leva em consideração os efeitos da recuperação mais lenta da economia e do impacto do cenário internacional mais adverso que levou, inclusive, o Banco Central a segurar a queda dos juros que estava no radar.

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"A atividade econômica já estava vindo num ritmo mais lento do que o previsto. A mudança no cenário externo com essa desvalorização do dólar dificultou a nossa vida", avaliou Matos. Segundo ela, esse cenário cria um ambiente que já não era bom o investimento.

A pesquisadora destacou que a greve foi um fator inesperado e que, na prática, reduz os dias úteis de produção. Por isso, explicou, é grande a dificuldade de mensurar o seu impacto sobre a atividade e necessidade de cautela nas previsões.

O Ibre vai iniciar sondagens, inclusive qualitativas, com perguntas objetivas sobre o impacto da greve. "Têm projeções de R$ 40 bilhões, R$ 50 bilhões. Estamos num ponto menos dramático, mas temos uma preocupação muito grande com a capacidade de reação, já que a greve parou o País", ressaltou.

De acordo com a pesquisadora, a indústria de transformação é a que mais perde com a greve, espalhando a piora para outros setores. O contexto de fraqueza da economia dificulta a reação. Há preocupação também com as finanças públicas que serão afetadas com o acordo feito pelo governo.

"Não há espaço no Orçamento", ponderou Silvia Matos, lembrando que as concessões feitas aos caminhoneiros pode abrir espaço para outros pleitos, criando um risco maior num cenário que já não é muito bom. "Ninguém está tendo muita racionalidade nesse memento e isso tem impacto sobre a confiança", afirmou. O Ibre também está avaliando o impacto na arrecadação de tributos.

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