Impacto da guerra no Brasil será limitado, diz Sobeet

Apesar de a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque ser quase inevitável, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) acredita que impacto no Brasil será pontual e limitado. "Embora saibamos como uma guerra começa, mas não como termina, vejo um cenário otimista realista para o Brasil", disse à Agência Estado o presidente da entidade, Antônio Corrêa de Lacerda.Sobre as previsões da Comissão Européia, que começou a revisar as previsões econômicas e calcular o impacto no crescimento e inflação com base num preço médio de US$ 34,00 o barril de petróleo, Lacerda foi taxativo: "O preço do petróleo pode até subir a isso, mas não se sustenta nesse patamar."A tensão em torno ao Iraque está levando os europeus a preverem um crescimento de 1,8% em vez dos 2% estimados anteriormente e a inflação teria um incremento de 0,7 ponto porcentual. De acordo com ele, o preço de equilíbrio do barril é entre US$ 22,00 e US$ 28,00. "Acima desses patamares não se sustenta", afirmou.Lacerda acredita que, para o Brasil, o pior já passou. "Vamos sim ter turbulências, mas o pior já ocorreu no segundo semestre do ano passado, quando a combinação entre a aversão ao risco e a incerteza sobre a sucessão presidencial impactou demasiadamente na economia do País", disse.O presidente da Sobeet disse que, apesar da redução de fluxo de capitais, o Brasil não enfrentará problemas de escassez este ano. "Estamos contando com investimentos estrangeiros diretos de pelo menos US$ 15 bilhões", afirmou, contra os US$ 16,6 bilhões do ano passado. Apesar da redução, ele acredita que "o déficit nas contas externas em 2003 deve cair a um patamar de US$ 5,7 bilhões, bem abaixo dos US$ 7,7 bilhões do ano passado e infinitamente inferior aos US$ 23 bilhões de 2001".As estimativas da instituição mostram que a relação entre os investimentos estrangeiros diretos e o déficit em conta corrente é de 2,5 para 1. "Isso é mais do que suficiente para cobrir as contas externas", afirmou. Ele estima que a taxa média do câmbio deverá ser de R$ 3,50 por dólar. Segundo ele, a pressão sobre o real será compensada com a contrapartida de entrada de recursos externos.Nem mesmo o crescimento de 1,5% do PIB ? se confirmado, será o terceiro ano consecutivo nesse patamar ? desanima o presidente da Sobeet. "O que o Brasil precisa fazer agora, sem perder tempo, é elaborar uma agenda que permita, já a partir do próximo ano, um crescimento sustentável", disse.Lacerda afirmou que a meta do governo de buscar ampliar as exportações em 10% este ano é perfeitamente factível e realista. Ele enumerou uma série de fatores para sustentar essa estimativa. Primeiro porque está havendo uma recuperação dos preços de produtos exportáveis no mercado internacional. Depois, o Brasil está ganhando novos mercados. Terceiro, porque o câmbio está e será favorável e, finalmente, porque a Argentina, um dos principais mercados para produtos brasileiros, está saindo do pior da crise.Apesar disso, a Sobeet estima uma expansão menor, de 8,5%, para as vendas externas brasileiras. Na verdade, disse Lacerda, as exportações já estão crescendo nesse patamar desde julho do ano passado. "Por isso, temos grandes possibilidades de ampliá-las."

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