Impacto de reajuste dos combustíveis será pequeno, dizem analistas

O reajuste dos preços da gasolina e do diesel, que entra em vigor nesta quarta-feira, terá impacto praticamente nulo nas bombas e na inflação, mas vai ajudar a Petrobras a recompor margens e melhorar seu desempenho no segundo semestre, depois de uma redução de 69% no lucro do primeiro trimestre.Na avaliação de analistas de mercado, a alta do diesel mais do que compensará a queda da gasolina, encarada apenas como um sinal de que a abertura pode ser boa também para o consumidor. A queda do preço da gasolina, de 1,08%, terá impacto negativo de apenas 0,03 ponto porcentual no IPCA de maio, nas contas do economista da Fecomercio Paulo Bruck. E o efeito do aumento do diesel, de 4,35%, será menor que 0,01 ponto porcentual, calcula.?O movimento na gasolina é importante apenas por indicar que os movimentos de preço poderão ser também para baixo?, avalia Bruck. A opinião é compartilhada por especialistas no setor. ?Serve mais como uma sinalização de que, realmente, haverá reajustes para cima e para baixo?, reforça a analista de petróleo do BES Securities, Mônica Araújo.O porcentual de redução utilizado pela Petrobras foi superior à variação do preço do combustível no mercado externo, de 0,34%, que não justificaria uma alteração no preço interno do combustível. Analistas de mercado prevêem que a Petrobras apresentará números melhores no segundo trimestre, influenciados pelo impacto dos últimos reajustes nos preços da gasolina e do diesel.?Os aumentos anunciados no final de março e no início de abril terão mais impacto neste trimestre?, afirma o analista do setor de petróleo do Garantia, Emerson Leite. Na sua opinião, a redução de 1,08% no preço da gasolina para as distribuidoras, o que significa uma queda de 2,14% no faturamento da empresa, não terá impacto significativo no resultado.A Petrobras, diz ele, tem 40% de seu volume de vendas no mercado de diesel e 15% no de gasolina. Com o reajuste que entra em vigor (nesta quarta), a receita com cada litro de diesel aumenta 5%. ?O efeito líquido vai ser positivo para a Petrobras?, concorda Mônica, do BES, que espera melhores números no balanço do segundo trimestre.Com o reajuste, a estatal volta a praticar um preço de gasolina abaixo do mercado internacional, diz um especialista em trading de combustíveis. Durante o mês passado, os preços internos estiveram pouco acima dos praticados nos Estados Unidos, devido aos aumentos de 9,3% no fim de março e de 10,08% no início de abril. Na política do diesel, diz o executivo, a empresa está recompondo margens perdidas pela desvalorização do real e pelo aumento do preço do combustível no mercado internacional.Ao justificar o fraco resultado no primeiro trimestre, quando teve um lucro de R$ 866 milhões, o diretor financeiro da empresa, João Nogueira Batista, disse que as margens da empresa caíram de 16,9% em 2001 para 7,7% em 2002.

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