Jean-Christophe Bott|EFE
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Impacto profundo

Problemas para o mais festejado banco de investimentos dos mercados emergentes

The Economist

26 de novembro de 2015 | 22h29

O fundador e CEO do BTG Pactual, André Esteves, tem fama de ser um negociador perspicaz e hiperativo. Na quarta-feira, porém, alguns de seus negócios parecem ter azedado: o banqueiro foi preso na Operação Lava Jato, que investiga o pagamento de propinas em contratos da Petrobrás.

Os procuradores envolvidos na operação dizem que Esteves e o senador petista Delcídio do Amaral tentavam ajudar o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, que já foi condenado por corrupção, a escapar da Justiça. Segundo a polícia, Esteves estava disposto a desembolsar R$ 4 milhões (US$ 1,1 milhão) para tirá-lo do País. O banqueiro e o senador alegam inocência.

Não se sabe que motivos Esteves teria para contribuir com a fuga de Cerveró. O CEO do BTG sempre negou a existência de irregularidades nos investimentos que o banco fez em ativos da Petrobrás na África. O mesmo se aplica, segundo ele, ao envolvimento da instituição com a Sete Brasil, empresa em dificuldades que constrói plataformas de exploração para a estatal de petróleo.

Seja como for, a prisão de Esteves põe pressão sobre o banco que ele comanda desde 2009. Grande parte do sucesso do BTG deve ser creditado ao apetite por risco de seu CEO. Uma série de aquisições, entre as quais se conta, mais recentemente, um banco suíço, contribuiu para o crescimento do banco, que atualmente lidera o ranking de instituições latino-americanas com atuação em processos de fusões e aquisições. Com ativos de R$ 303 bilhões, o BTG é um dos maiores bancos de investimentos com atuação independente em economias emergentes. Sua divisão de gestão de patrimônio e ativos administra R$ 650 bilhões. O retorno sobre o patrimônio, que nos últimos quatro anos foi, em média, de 25%, está muito acima dos níveis observados em Wall Street.

O BTG nomeou o respeitado economista Pérsio Arida, responsável pela unidade de gestão de ativos do banco, como CEO interino. Mas a ligação do banco com Esteves é umbilical. Ele é o acionista controlador da instituição e tem liberdade de ação na condução de seus negócios e de sua administração. Na manhã em que Esteves foi preso, as ações do banco caíram 25%. Os piadistas do mercado costumavam dizer que a sigla BTG significava (em inglês) “Melhor que o Goldman” (em referência ao banco de investimentos americano Goldman Sachs); agora pode ser lida como “Balada aTrás das Grades”.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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