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Guy Perelmuter
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Impacto profundo

A busca por uma segunda casa

Guy Perelmuter, colunista

04 de abril de 2019 | 02h30

Em 1961, o astrônomo norte-americano Frank Drake elaborou uma equação cujo objetivo era estimar quantas civilizações potencialmente inteligentes existem na Via Láctea. Um dos fundadores do Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI, ou Busca por Inteligência Extraterrestre), Drake trabalhou com um dos maiores divulgadores da Ciência deste século, o também astrônomo Carl Sagan (1934-1996), no desenvolvimento da primeira mensagem fisicamente enviada para fora da Terra: uma placa afixada no exterior das sondas Pioneer 10 e Pioneer 11 (lançadas respectivamente em 1972 e em 1973), com informações sobre nossa localização no Universo. 

A equação de Drake, que até hoje serve de base para sucessivas discussões e aperfeiçoamentos, leva em consideração sete fatores, por exemplo quantos planetas em média podem suportar vida em cada sistema solar, quantas formas de vida efetivamente evoluem e se tornam inteligentes e qual o porcentual dessas civilizações que desenvolve tecnologias passíveis de serem detectadas. Todos os parâmetros da equação são de difícil estimação, e os resultados obtidos originalmente variam de 1.000 a 100.000.000 de possíveis vizinhos inteligentes na nossa galáxia - apenas uma entre mais de 100 bilhões de galáxias que os astrônomos estimam que existem com base nos dados obtidos pelo telescópio espacial Hubble, lançado em 1990.

Até hoje, nenhum sinal de vida inteligente fora da Terra foi detectado de forma conclusiva, mas na medida em que consideramos a expansão da raça humana para fora dos limites do nosso planeta, esse é um tema que vai ganhar mais relevância. Conforme já discutimos aqui, precisaremos de importantes ganhos de produtividade para alimentar e abrigar uma população que deve sair dos atuais 7,5 bilhões para cerca de 10 bilhões nos próximos 35 anos.

Há outras razões bastante convincentes que indicam que a busca por novos planetas habitáveis é uma missão relevante: uma delas é a ocorrência dos chamados "eventos de extinção". Embora não haja uma definição formal do que exatamente constitui um evento de extinção de grandes proporções, os paleontólogos David Raup (1933-2015) e Jack Sepkoski (1948-1999) publicaram um artigo científico em 1982 identificando o que provavelmente foram as cinco maiores extinções do planeta. Geralmente, há múltiplas causas para esses eventos de extinção: erupções vulcânicas, resfriamento da atmosfera, impactos de asteroides e aquecimento global são alguns exemplos frequentemente citados na literatura científica.

O cenário de sermos atingidos por um asteroide já foi tema de filmes como Armageddon e Impacto Profundo, ambos de 1998. Coincidência ou não, esse foi o ano no qual o Congresso dos Estados Unidos estabeleceu que a Nasa deveria ser capaz de detectar qualquer asteroide com mais de um quilômetro de diâmetro que passasse a menos de 200 milhões de quilômetros do Sol. O Center for Near Earth Objects Studies (CNEOS, algo como "Centro para Estudos de Objetos Próximos da Terra") é responsável por essa tarefa, e nos últimos 20 anos já detectaram cerca de 20 mil objetos. É praticamente certo que o evento que causou a extinção dos dinossauros tenha sido o impacto de um asteroide ou cometa com cerca de 15 quilômetros de diâmetro na superfície terrestre, arremessando cinzas, poeira e detritos na atmosfera e efetivamente impedindo que a radiação solar chegasse ao solo por décadas.

Na próxima coluna iremos prosseguir discutindo os motivos que criaram as condições necessárias para a exploração espacial privada e os impactos que isso já vem trazendo para diversos setores da economia. Até lá.

*FUNDADOR DA GRIDS CAPITAL, GUY PERELMUTER É ENGENHEIRO DE COMPUTAÇÃO E MESTRE EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. PUBLICA NESTE ESPAÇO TODA PRIMEIRA QUINTA-FEIRA DO MÊS

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