Impasse ainda marca reunião da OMC

Até o final da manhã deste domingo, os 148 países que participam da 5a. reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) ainda estavam longe de chegar a um acordo sobre temas considerados mais controversos, como as questões agrícolas. A Conferência de Cancún está prevista para acabar hoje, com a divulgação de um documento final contendo as bases para o avanço da Rodada de Doha, que tem de ser concluída até o final de 2004.Apesar disso, o impasse gerado com a divulgação, ontem, do texto base pelo presidente da Conferência de Cancún, Luis Ernesto Derbez, pode prolongar a reunião por um ou dois dias mais. Ou, então, registrar o fracasso da Conferência, com alguns países rechaçando o documento final e abandonando as negociações. O texto base divulgado ontem, sobre o qual as delegações vão negociar, desagradou os países em desenvolvimento.O G-21, grupo de países em desenvolvimento liderados pelo Brasil, não gostou do capitulo agrícola, em que o texto base ficou parecido com a proposta encaminhada pelos Estados Unidos e União Européia (UE). O G-21 reivindica o fim completo dos subsídios às exportações agrícolas, entre outros pontos.O texto base prevê o fim desses subsídios para apenas uma lista, a ser definida posteriormente e a ser negociada por produto pelos países que se sintam prejudicados. Já um grupo de 70 países em desenvolvimento também não gostou da inclusão no texto base do chamado "temas de Cingapura", como investimentos, compras governamentais e facilitação de comércio, que não agradam a países como Índia.No início desta manhã, a vice-representante de comércio dos Estados Unidos, Josette Shiner, disse que apenas no início desta tarde é que poderá ter uma idéia melhor para onde caminham as negociações e se será possível, ou não, chegar a um acordo. "Nós dos Estados Unidos, como vários outros países, temos também problemas significativos com o texto base, porém estamos abertos e preparados para negociar", afirmou Shiner.Josette Shiner, contudo, não quis entrar em detalhes sobre quais os pontos do texto base que os americanos acharam problemáticos. "Estou confiante que possamos avançar aqui em Cancún", acrescentou. Segundo ela, os americanos observaram nas últimas horas uma diversidade de posturas por parte de diversos países. "Há países que estão mais flexíveis e há países que não compreendem a necessidade de avançar com as negociações", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.