Impasse com Monsanto sobre royalties de soja persiste, dizem indústrias

Impasse com Monsanto sobre royalties de soja persiste, dizem indústrias

Segundo comunicado, as principais empresas do setor estão receosas de fechar um acordo com implicações jurídicas

REUTERS

23 de outubro de 2014 | 12h10

As grandes indústrias de soja do Brasil ainda não chegaram a um acordo com a empresa de biotecnologia Monsanto, em um impasse que se arrasta há meses, para a cobrança de royalties sobre uma nova variedade de soja transgênica, informou nesta quinta-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

No mês passado, uma fonte de uma pequena empresa exportadora disse à Reuters que havia fechado acordo para fiscalizar, no momento do recebimento dos grãos, a cobrança dos royalties da nova soja Intacta RR2 Pro, da Monsanto. A multinacional norte-americana pagaria uma taxa pelo serviço de monitoramento e cobrança.

No entanto, o comunicado desta quinta-feira demonstra que as principais empresas do setor de processamento e exportação de soja estão receosas de fechar um acordo com implicações jurídicas com a Monsanto.

"Os riscos de eventuais embaraços futuros pela Monsanto à comercialização e industrialização da soja Intacta... poderão fazer com que os processadores e tradings não possam receber aquela soja", disse a Abiove.

Em julho, a Abiove já havia dito que o impasse ameaçava o recebimento da soja que está sendo plantada na atual safra 2014/15. A estimativa da entidade é que a nova genética estará presente em cerca de 25 por cento das lavouras brasileiras nesta temporada.

Segundo a Abiove, a Monsanto não tem um plano de negócios para realizar por conta própria o monitoramento do plantio da soja Intacta e cobrar os royalties de produtores que utilizarem sementes salvas de colheitas passadas e depende de um acordo com as indústrias para realizar essa fiscalização.

A Monsanto não comentou imediatamente o assunto.

(Por Gustavo Bonato)

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