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Impasse com Petrobrás complica a Odebrecht

Companhia de óleo e gás do grupo, a OOG, terá de paralisar quatro sondas arrendadas à estatal e pode ter de pedir recuperação judicial

Reuters

09 de agosto de 2016 | 21h03

A Petrobrás pediu para que a Odebrecht Óleo e Gás (OOG) paralise quatro de seis sondas de perfuração que estão em atividade, um movimento da petroleira estatal que pode levar a fornecedora de equipamentos a pedir recuperação judicial, segundo duas fontes a par do assunto. Em nota, a Odebrecht Óleo e Gás informou que está em discussões construtivas com credores e com a Petrobrás.

Bancos e investidores da OOG acompanham a situação com preocupação. As partes já tinham avançado num reescalonamento do calendário de pagamentos de juros da OOG desde que a Petrobrás cancelou o contrato do navio-sonda ODN Tay IV, uma das quatro plataformas que garantem bônus da empresa, em setembro passado.

Mas a solicitação da petroleira agrava a situação da fornecedora, que tem na estatal sua única cliente na área de perfuração, segundo as fontes.

Divisão da maior empreiteira do País na área de petróleo e gás, a OOG tinha cerca de US$ 5 bilhões em dívida no mercado, com a maior parte do montante vencendo até 2022.

Do total, cerca de US$ 2 bilhões estão com bancos e o restante nas mãos de outros investidores, segundo documento da própria OOG divulgado mais cedo neste ano, referente a 2015.

A Petrobrás, cujo plano de investimento foi reduzido drasticamente na esteira da queda do petróleo e do escândalo de corrupção, não pode suspender unilateralmente a atividade das sondas, cujos contratos terminam entre 2021 e 2022.

Por isso, está pedindo pela paralisação dos serviços, que teria como consequência uma diminuição dos pagamentos. De outro lado, a OOG tem preferido encontrar uma solução negociada, visando evitar maiores quedas em suas receitas.

Segundo uma fonte a par do assunto, o prazo da eventual paralisação das plataformas é um dos principais pontos de impasse. Com a percepção de que o preço internacional do petróleo não deve voltar ao patamar de US$ 100 o barril por vários anos, a Petrobrás quer uma parada total de quatro das seis sondas da OOG por um período de cerca de dois anos.

A paralisação total de uma sonda, operação de parada fria, reduz fortemente seu custo de manutenção. Como consequência desse movimento, a Sete Brasil, criada para fretar sondas para a estatal, pediu recuperação judicial em abril.

Emprego. Uma suspensão mais permanente das plataformas da OOG teria como um dos desdobramentos a suspensão de mão de obra treinada que, numa recontratação futura, também levaria mais tempo de preparação para entrar em atividade.

Por isso, a OOG quer uma parada parcial, a parada quente, o que manteria as plataformas numa condição semiativa, situação que facilitaria uma retomada das atividades, mas que também tem um custo de manutenção maior, conforme fontes.

Uma sonda da OOG em atividade custa diariamente cerca de US$ 350 mil. A atividade de perfuração responde por mais de metade da receita da OOG.

Crise. A situação da OOG é difícil desde que a Justiça proibiu a companhia de participar de licitações da Petrobrás, devido ao envolvimento da holding Odebrecht no escândalo de corrupção investigado na operação Lava Jato. O efeito prático mais imediato dessa medida foi tirar da OOG a chance de participar em licitações para manutenção de plataformas da estatal. Esses contratos têm duração mais curta, em torno de dois anos.

Diferentemente da área de perfuração, a de manutenção praticamente não consome capital e é um setor que garante algum fluxo de caixa para a empresa. Com isso, a OOG deixou de renovar os contratos de cerca de 2 mil funcionários da área desde dezembro.

Na holding Odebrecht, a situação da OOG virou o assunto mais urgente a ser resolvido. A holding tem negado informações veiculadas na mídia de que estaria próxima de pedir recuperação judicial de todo o conglomerado.

Do lado dos bancos, eles querem convencer a OOG a evitar pedir recuperação judicial, já que isso os forçaria a fazer mais provisões para perdas com calotes. Os bancos já provisionaram bilhões após Sete Brasil e a operadora de telefonia Oi terem pedido recuperação judicial.

Consultada, a OOG não se pronunciou. A Petrobrás afirmou que “continua adequando sua frota de sondas aos novos níveis de demanda” e que segue “buscando reduzir custos através de negociações com os fornecedores”. 

Outro lado. A Odebrecht Óleo e Gás (OOG), unidade fornecedora de equipamentos para o setor petrolífero do conglomerado Odebrecht, informou nesta quarta-feira que está em discussões construtivas com credores e com a Petrobrás após notícia da Reuters na véspera indicar que a estatal petroleira pediu a paralisação de quatro das seis sondas de perfuração da empresa.

A OOG afirmou em nota que "tem mantido entendimentos construtivos com a Petrobrás, sendo certo que qualquer modificação dos contratos em vigor depende de consenso entre ambas as partes".

A companhia declarou ainda que os contratos de afretamento em vigor, relativo a seis sondas de sua propriedade, estão sendo respeitados e as unidades encontram-se em plena operação. 

As discussões entre a OOG e a Petrobrás preocupam os credores, uma vez que a estatal é a única cliente da OOG em sondas de perfuração. A paralisação dos equipamentos teria impacto nas finanças da fornecedora.

Sobre as negociações com os credores, a Odebrecht Óleo e Gás disse que "continua em discussões construtivas", buscando "fortalecer sua posição financeira de curto e longo prazos".

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