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Impasse entre Brasil e Paraguai continua

Lula e Lugo vão continuar tentando um acordo sobre a Usina de Itaipu

Lisandra Paraguassu, Christiane Samarco, Gerusa Marques e Denise Chrispim, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Nove meses de negociações e duas horas de conversa formal, ontem, entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Paraguai, Fernando Lugo, não foram suficientes para que os dois países chegassem a um acordo sobre o preço da energia da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Lugo tomou posse em agosto do ano passado e fez da revisão do Tratado de Itaipu (1973) - impondo um aumento no preço da energia paga pelo Brasil - um ponto de honra política no cumprimento de uma promessa eleitoral. O governo Lula resiste a mexer no tratado para não abrir precedentes.A assessoria do Itamaraty informou ontem à noite que os dois presidentes continuariam a negociar no jantar marcado para o Palácio do Alvorada. Por causa disso, admitindo a possibilidade de os dois países chegarem a um acordo, é que foi definido que não haveria nenhum tipo de declaração oficial nem assinatura de atos depois das reuniões no Itamaraty. O governo disse que qualquer declaração só seria dada hoje, na Base Aérea de Brasília, quando Lula e Lugo embarcam para uma viagem rumo ao Pantanal mato-grossense.DESCRENÇAAo final de três dias de reuniões prévias para fechar uma cesta de propostas a oferecer a Lugo, foi em clima de descrença que o presidente Lula se reuniu no início da noite de ontem com o colega paraguaio. Antes mesmo de o encontro começar, a avaliação geral de ministros e técnicos do setor energético era a de que a reunião não produziria resultado algum.Em conversas reservadas, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, queixou-se da "enorme agressividade" dos negociadores do país vizinho e previu que "dificilmente" o encontro produziria resultados concretos.Outro interlocutor presidencial observou que a disposição do Palácio do Planalto em ajudar o presidente do Paraguai a superar a crise política que ameaça seu mandato acabou se convertendo em "irritação".Segundo este colaborador de Lula, o entendimento da equipe brasileira pode ser resumido em uma frase: "É preciso chamar o feito à ordem para poder prosseguir o entendimento". Isso ficou claro na conversa de Lula na véspera com quatro ministros - além de Lobão, Celso Amorim (Relações Exteriores), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda), e também o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.Participaram ainda desse encontro no qual foi marcada a posição do Brasil os presidentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tomasquim, e de Itaipu Binacional, Jorge Samek. As autoridades brasileiras não se conformam com a "agressividade excessiva" de aliados de Lugo, que responsabilizam o Brasil pelas dificuldades financeiras do País.Em visita ao Congresso ontem cedo, Fernando Lugo, esquivou-se de abordar diretamente a questão de Itaipu nas declarações públicas que fez ao lado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com Temer a seu lado, Lugo destacou que o Brasil é um grande sócio para o desenvolvimento econômico do Paraguai e fez um chamado ao diálogo. "Também temos dificuldades e situações que podemos superar juntos. Sou daquelas pessoas convencidas de que o diálogo é a melhor arma para solucionar as grandes e pequenas dificuldades", afirmou. Ao lado de José Sarney, Lugo insistiu que a nenhum país da América Latina é confortável ter um "vizinho pobre".

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