Impasse impede Petrobras de definir localização de unidade

Um impasse entre o governo do Rio de Janeiro e empresários parceiros da Petrobras estão impedindo a estatal de tomar uma decisão sobre a microlocalização de sua Unidade Petroquímica Integrada (UPI) dentro do Estado. Se por um lado o governo do Estado pressiona a companhia para que a planta seja instalada no distrito de Guriri no Norte Fluminense, por outro, os autores do projeto, representantes do Grupo Ultra, exigem que seja mantida a sugestão inicial sobre a instalação da unidade em Itaguaí, próximo ao Porto de Sepetiba.A presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster, disse hoje que esta decisão, que seria tomada até setembro, já passou para o mês de outubro. Analistas acreditam que se não for tomada a decisão até o final ano, o cronograma da obra, prevista para ser concluída até o final de 2010, já estaria comprometido.PortoO interesse do Grupo Ultra na instalação da UPI com a Petrobras em Itaguaí está diretamente relacionado ao porto de Sepetiba, por onde seria escoada a produção da unidade. Na prática, a participação neste projeto seria uma segunda chance do Ultra se consolidar no mercado petroquímico nacional, depois de perder o arremate dos ativos da Copene, leiloados pelo Banco Central em 2001, que ficaram com a Odebrecht e deram origem à bem-sucedida Braskem.A própria idéia da UPI foi concebida e apresentada pelo diretor presidente do grupo, Paulo Cunha que tem o projeto como menina dos olhos. Analistas do mercado acreditam que o grupo teria condições de participar com apenas 10% do volume de investimentos previstos no negócio, que somam até US$ 6,5 bilhões. Fontes também afirmam que há cláusula no acordo com a Petrobras para que o local não fosse alterado.Mas além do grupo Ultra também apóiam a instalação em Itaguaí, os investidores da Riopol - grupo Suzano e Unipar - que vêem na UPI boas possibilidades de negócios sem grandes desembolsos. Se a escolha da Petrobras tender pelo Norte Fluminense, a Suzano já anunciou que construiria uma nova unidade. Caso contrário, seriam apenas ampliadas as instalações da Riopol em Duque de Caxias, além de construídos dutos ligando a planta à UPI.GarotinhoJá o governo do Estado do Rio tem abafado seus apelos políticos de notável preferência para que os investimentos na UPI da Petrobras fiquem no norte fluminense - berço eleitoreiro da atual governadora Rosinha Matheus e do já candidato à Presidência da República, Anthony Garotinho.O governo do Estado em sua defesa pelos investimentos em Guriri (distrito de Campos) tem destacado as dificuldades sócio-ambientais para se implantar o projeto da UPI em Itaguaí.Área da PetrobrasA unidade, que é conhecida também como refinaria petroquímica, se fosse em Itaguaí, seria construída numa área já de propriedade da Petrobras, instalada na retroárea do porto de Sepetiba na região limítrofe do município. Só por este motivo, argumenta o subsecretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio, Marcos Abreu, o projeto poderia ser recusado pelos órgãos ambientais devido ao elevado risco oferecido à população local."Isso sem considerar as perdas econômicas para os investidores, que teriam de arcar com os custos destes riscos e ainda a dificuldade de ampliar a planta no futuro", considerou.Outro aspecto preocupante da área, lembra o secretário, é que a região será a sede de uma série de projetos siderúrgicos nos próximos anos (CSN, Thyssen-Krupp, Gerdau e Cosipa), o que deve "inchar" a região. "Não queremos uma nova Cubatão, ou uma nova Duque de Caxias", disse Abreu, admitindo que o governo do Estado já autorizou todos os projetos siderúrgicos para a região.Estado doaria áreaNo caso da construção no norte fluminense, o Estado vai doar uma área de aproximadamente 11 mil metros quadrados, que é até cinco vezes maior do que a da Petrobras em Itaguaí, segundo Abreu. Ele acredita que esta "amplitude" dá melhores condições ao projeto. "Em vez de construir uma barreira de aço duplo para evitar vazamentos, haveria apenas um espaçamento maior de terra mesmo e coberto por árvores reduzindo riscos", comentou.O sub-secretário não comenta quais seriam os descontos diferenciados no pagamento de impostos se o empreendimento fosse feito na região, mas afirma que o projeto seria mais barato. Já o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, disse que levar a planta para o Norte Fluminense representa elevar o projeto em até US$ 600 milhões.

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