Impasse nas negociações de Doha foi rompido, diz ministro

Sharma, representante indiano na reunião na OMC, diz que há "disposição para superar os entraves"

Ana Conceição, da Agência Estado,

04 de setembro de 2009 | 09h13

O impasse entre os principais negociadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi rompido, afirmou o ministro de Comércio e Indústria da Índia, Anand Sharma. "Todos concordaram em trabalhar pela conclusão da Rodada Doha", disse ele em entrevista coletiva após o primeiro dia de reunião com representantes de 35 países, em Nova Délhi.

 

Sharma afirmou que os negociadores se reunirão em Genebra na semana do dia 14 de setembro para retomar as conversações sobre a liberalização do comércio mundial com disposição para superar os entraves.

 

A Rodada Doha foi iniciada em 2001 para criar um pacto de livre comércio que elevaria as trocas entre países de forma a ajudar as nações em desenvolvimento. Porém, o impasse a respeito de vários itens, principalmente subsídios agrícolas e tarifas sobre produtos industriais, impediu a conclusão do pacto por diversas vezes.

 

A última tentativa de fechar a Rodada, em julho do ano passado, em Genebra, resultou em fracasso. Mas com a troca de governos na Índia e nos Estados Unidos, criou-se a expectativa de que, desta vez, as negociações terão sucesso.

 

Em um comunicado divulgado após a reunião, os ministros dos 35 países prometeram agir para concluir a rodada de forma rápida. "A crise criou em todos nós um forte senso de urgência para concluir as negociações", afirmou o ministro de Comércio da China, Chen Deming. Os dois dias de conversas informais em Nova Délhi também são uma preparação para a reunião dos líderes do Grupo dos 20, que será realizada em Pittsburgh, EUA, no final deste mês.

 

Apesar das declarações otimistas, ainda há divergências. Enquanto o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, afirma que 80% do novo acordo comercial já está pronto, o indiano Sharma ponderou que ainda há muitas questões que precisam ser resolvidas, especialmente aquelas relacionadas a subsídios agrícolas e o acesso a produtos industriais.

 

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, um dos grandes players das negociações, advertiu que os países em desenvolvimento "não têm espaço para mais concessões". Tais países, como a Índia, que possui 235 milhões de produtores agrícolas, estão hesitantes em abrir seus mercados para produtos agropecuários mais baratos de outras nações.

 

Enquanto os ministros se reuniam, milhares de produtores e ativistas bloqueavam as principais avenidas de Nova Délhi para exigir que o governo indiano "enterre" Doha. "Os países ricos, com seus subsídios, irão destruir os produtores da Índia", afirmou Ajmer Singh Gill, líder do grupo Bharat Kisan Union. Estados Unidos e União Europeia, por seu lado, relutam em abandonar a concessão de subsídios a seus produtores, cujo lobby é muito forte em ambos os casos.

 

Um novo estudo feito pelo Peterson Institute for International Economics, de Washington, calculou que a conclusão de Doha pode elevar o PIB mundial em US$ 700 bilhões por ano. As informações são da Dow Jones.

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