Impasse nos Estados Unidos breca emissão de títulos brasileiros

Situação prejudica empresas, que ficam sem referências para buscar recursos mais baratos no exterior

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h04

A crise nos Estados Unidos, causada pelo impasse sobre o abismo fiscal, fechou a "janela de oportunidade" a emissões internacionais, na avaliação do Tesouro Nacional. Ainda que isso não seja um problema para a gestão da dívida brasileira, deixa empresas às escuras para buscar recursos mais baratos no exterior.

A emissão consiste em o governo vender títulos da dívida no mercado internacional para pagar juros menores e tornar o prazo de pagamento mais longo. Quando o País faz uma ação como essa, acaba fornecendo parâmetros, como taxa de juros e de retorno para o investidor, para as companhias também se arriscarem nesse mercado a um custo mais baixo. A maior competitividade do setor produtivo é palavra de ordem no governo neste momento que pretende deslanchar os investimentos.

Há um mês, o Tesouro enxergava uma brecha para operar no exterior ainda em 2012. O principal balde de água fria, porém, veio da indefinição da economia americana. "A gente não tem bola de cristal e dependemos das condições externas. Há incertezas nos Estados Unidos com o problema do abismo fiscal", pontuou o coordenador de Operações da Dívida Pública, José Franco de Morais.

Além disso, como nos demais negócios, os investidores mínguam com a proximidade do fim do ano. "Não quer dizer que não possa haver emissão, mas não é o melhor momento para captações externas", considerou Morais. Essa pausa não é necessariamente um problema para o Tesouro administrar a Dívida Pública Federal (DPF), pois deve cumprir todas as metas fixadas para o ano. O total de DPF estava em R$ 1,965 trilhão em novembro, abaixo do teto de R$ 2,05 trilhões dado como referência.

O órgão também se considera vitorioso por ter ampliado ao longo do ano a quantidade de títulos da dívida que têm o porcentual de correção conhecido no momento da compra, os prefixados. Eles representam agora 39,56% do total da dívida. Outro grupo de papéis que ganhou mais fatia desde então foi o dos indexados à inflação, que agora chegam a 33,76%. Na outra direção, caiu o volume de títulos atrelados à Selic. O governo tinha esse objetivo de redução para tornar a dívida menos sensível a mudanças de política monetária.

Se no começo de 2012 a parcela da DPF corrigida por esse indicador era de 30,14%, em novembro passou para 22,08%. Em todos os casos, os porcentuais estão enquadrados nos parâmetros definidos pelo próprio Tesouro no início do ano. A única meta ultrapassada foi a do prazo médio da dívida, que chegou a 3 anos e 361 dias, e o máximo era de 3 anos e 292 dias.

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