Importação argentina cresce com compras do Brasil

Pela primeira vez em 21 meses, as importações argentinas cresceram. A alta em fevereiro foi de 24% em comparação a fevereiro de 2002, com um saldo de quase US$ 1,3 bilhão na balança comercial. O resultado foi possível, segundo assessores do Ministério da Economia, graças à reativação de setores da economia, que aumentaram as importações, especialmente de componentes industriais, vindos do Brasil. "Ainda não é possível observar incremento do consumo interno, porém com o crescimento de alguns setores industriais foi registrada esta alta das importações", afirmou um assessor do ministro Roberto Lavagna. Além disso, fevereiro, como destacaram economistas do Centro de Estudos Bonaerenses (CEB), foi marcado por um índice recorde de exportações, devido ao preço dos produtos primários. No mês passado, as exportações chegaram a pouco mais de US$ 2 bilhões, com um aumento de 15% frente ao mesmo mês do ano passado. Já as importações ficaram em US$ 777 milhões. No primeiro bimestre de 2003, as exportações subiram 16% e as importações 6%, resultando no acumulado de US$ 2,6 bilhões de saldo positivo no período. Os dados são do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), do Ministério da Economia. FiscoO crescimento da arrecadação tributária no mês de março, atingindo 4,8 bilhões de pesos (56,8% a mais que no mesmo período de 2002), permitirá que a Argentina atenda, "sem problemas", à meta estabelecida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). "Achamos que neste item, a Argentina não terá problemas até o vencimento do atual acordo, em agosto", afirmou o economista Júlio Piekarz, da consultoria IBCP.De acordo com dados oficiais, a alta superou as expectativas, passando em 800 milhões de pesos o que era esperado. Segundo o secretário de Fazenda, Jorge Sarghini, os resultados permitirão que o país chegue ao fim do ano com a arrecadação prevista, de 72 bilhões de pesos. "A Argentina não está tendo dificuldades para cumprir os principais números das metas exigidas. E os perdões que vêm pedindo poderão ser negociados no próximo acordo", completou o economista Norberto Sosa, da corretora Raymond James, na Argentina.Entre os perdões pedidos, e até aqui concedidos pelo Fundo, está o projeto de lei que mudam o cálculo do preço dos combustíveis, parado no Congresso Nacional. A medida foi considerada "antipática" pelos parlamentares que temiam aumento do preço dos produtos às vésperas das eleições presidenciais, em 27 de abril. A outra meta não atendida é a que previa a definição das compensações para o sistema financeiro, após a desvalorização assimétrica das dívidas e créditos.Neste caso, ao contrário do combinado com o FMI e os bancos, o presidente Eduardo Duhalde preferiu não assinar um decreto, mandando um projeto de lei ao Congresso. Também neste caso pesará a preocupação dos parlamentares com as urnas, já que após o pleito presidencial, as atenções estarão voltadas para as eleições legislativas previstas para setembro. A decisão de Duhalde não agradou aos técnicos do Fundo, segundos fontes do organismo multilateral de crédito. A expectativa é de que nova missão do FMI desembarque em Buenos Aires no próximo dia 24. A dúvida, porém, é saber se o governo Duhalde levará ou não um puxão e orelhas por isso. Afinal, os técnicos do organismo chegarão ao país a apenas três dias do primeiro turno das eleições, a vinte dias do segundo turno, em 18 de maio, e a trinta dias da posse do novo presidente, em 25 de maio. E como no FMI já pensam no próximo governo, é possível que nada aconteça até que assuma o sucessor de Duhalde. Sucessor este que deverá discutir novo acordo antes de agosto, quando vence o que está em vigor.O próximo acordo deverá incluir, novamente, heranças como a renegociação da dívida externa, em moratória desde dezembro de 2001 e a definição das regras e preços com as empresas de seviços públicos privatizados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.