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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Importação cresce, mas há dúvida sobre qualidade das compras

O aumento das exportações tem sido o destaque da balança comercial nos últimos anos, mas o governo também tem comemorado a alta recorde das importações. Embora a qualidade das compras e seus impactos na economia brasileira divida opiniões, os ministros da área econômica, em especial Guido Mantega (Fazenda) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), consideram o movimento altamente positivo. Para enfrentar as reclamações dos empresários contra o câmbio favorável aos produtos estrangeiros, eles sustentam que o incremento das importações vem sendo puxado por bens de capital, o que significa aumento de investimentos. Porém, um olhar mais detalhado sobre os números do comércio exterior indica que pode haver outra interpretação para o impacto da alta das importações na economia brasileira, bem menos positivo. A balança mostra que o incremento das importações também acontece, e de maneira forte, na categoria de bens de consumo, duráveis e não-duráveis. E, sob este aspecto, a concorrência estrangeira provocaria a redução e não aumento de investimentos produtivos.De janeiro a julho, as importações totais cresceram 23,1% sobre o mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, as compras de bens de capital subiram 26,2%, enquanto as de bens de consumo cresceram 39,1% - não-duráveis, 26,9%; e duráveis, 54% (dentro dessa categoria, as importações de automóveis tiveram alta de 128,5%). O Ministério do Desenvolvimento ainda não divulgou os detalhes da balança de julho, mas, no primeiro semestre, na categoria de bens de capital, cresceram as compras de equipamento fixo de transporte (79,8%); máquinas e aparelhos de escritório e serviço científico (35,1%); maquinaria industrial (27,5%); equipamento móvel de transporte (25,5%); ferramentas (21,6%); equipamentos para agricultura (12,6%); partes e peças para bens de capital para a indústria (12,5%); e acessórios de maquinaria industrial (8,8%).O gerente de comitês setoriais da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústria de Base (Abdib), José Maria Garcia, diz que um ritmo forte de compras de bens de capital, tanto dos fabricados no Brasil quanto de importados, teria de ser acompanhado de crescimento similar (na casa de 25% sobre mesmo período do ano passado) no ritmo de investimento geral da economia. Mas isso não vem acontecendo. "O crescimento do investimento é muito inferior a esse percentual", ressaltou.Dados do BNDES, citados pelo executivo da Abdib, sempre comparando o primeiro semestre deste ano com o ano passado, mostram que os desembolsos da instituição diminuíram 8,6%, e as aprovações cresceram 4%. "As operações de crédito do BNDES são importantes para indicar como estão o ritmo e a tendência de investimentos, mas não são suficientes. Esses recursos representam apenas 14% do volume de investimento realizado no Brasil", afirmou Garcia.PesquisaOs números da última sondagem industrial do Ibre-FGV reforçam que o investimento produtivo cresce, mas de forma desigual. No setor de bens de capital, a relação investimentos/vendas é de 3,1%, exatamente a mesma proporção do ano passado. No setor mobiliário, também se manteve igual, em 2,6%. Na indústria têxtil, a relação caiu de 6,5% para 4,1%. No vestuário e calçados, subiu de 4% para 4,9%. Os destaques da relação investimento/vendas foram os setores exportadores mais commoditizados, como celulose, papel e papelão, forte consumidor de maquinário (subiu de 12,6% em 2005 para 13,8% neste ano), e metalurgia, que também é forte consumidora de equipamentos pesados (subiu de 10,2% para 12,7% na mesma base de comparação).Pela pesquisa do Ibre, os investimentos industriais neste ano (concretizados e a realizar) cresceram 19,7% sobre 2005, mas a mediana é muito inferior, em 6,9%, o que mostra que são as empresas de grande porte, ligadas a grandes projetos, como o siderúrgico e o de celulose, que estão puxando os investimentos. "Uma tendência que não se reflete da mesma forma nos setores ligados ao mercado interno, formados por empresas de menor porte", diz Aloísio Campelo, coordenador da Sondagem. "Não é o momento de grande salto no nível de investimentos, porque a indústria ainda está em recuperação do trauma de 2001", afirmou. Para ele, o fato de a relação investimento/renda no setor de bens de capital não ter aumentado de 2005 para 2004, significa que os importados estão ocupando o lugar dos nacionais.Vale lembrar, segundo a Abdib, que no setor de infra-estrutura, o segmento de petróleo e gás, puxado quase que exclusivamente pela Petrobras, tinha uma estimativa de investimento no ano passado de quase US$ 7 bilhões. Energia elétrica, de US$ 3,5 bilhões. O setor de papel e celulose também tem um programa de investimentos de dez anos, iniciado em 2002, que prevê investimentos anuais até o total de US$ 14,4 bilhões - todos projetos de longo prazo que podem estar puxando as importações de bens de capital, sem significar, necessariamente, que o ânimo geral da empresa brasileira esteja mais para investir.Mas, ao mesmo tempo, os números do comércio exterior permitem uma análise menos negativa sobre a qualidade das importações. A economista do Unibanco Giovanna Rocca, analista de produção industrial e emprego, afirma que a o investimento no Brasil está, de fato, acontecendo porque o clima para é altamente favorável, com queda da inflação e do risco-País. "O dólar favorece o investimento", afirmou, lembrando que no primeiro semestre, o quantum das importações de bens de capital cresceu 28,7%, mas os preços recuaram 1,13% na comparação com o mesmo período do ano passado.MáquinasPara o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, entretanto, o aumento do consumo de máquinas na atividade produtiva não está crescendo. Ele avalia que o crescimento das importações acontece mais em máquinas seriadas, aquelas fabricadas como bens de consumo, que não são feitas sob encomenda, como as injetoras de plástico. "Trata-se muito mais de aproveitar o dólar para substituir maquinário já desgastado, já que a China vende esse produto mais barato. Só poderíamos considerar as importações como aumento de investimentos se o consumo estivesse crescendo, mas é só substituição", afirmou, lembrando que as compras de máquinas sob encomenda, geralmente vindas de Alemanha e Itália, não estão em alta.E na avaliação do empresário, essas vendas de maior valor não acontecem para a produção porque os bens de consumo importados diminuem as vendas da indústria nacional, fazendo com que os empresários deixem de investir em produção.Garcia, da Abdib, vai na mesma linha. "A valorização do real tornou a importação mais vantajosa do que a aquisição no mercado interno, o que não significa que as compras totais de bens de capital estejam crescendo. Seria apenas uma substituição de equipamentos fabricados no Brasil por outros importados", finalizou.

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