Importação de aço pode bater recorde

Instituto Aço Brasil prevê que compras externas de aço vão atingir 4,15 [br]milhões de toneladas, 78% acima de 2009

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

O Instituto Aço Brasil (IABr) anunciou ontem uma revisão em suas projeções para 2010. Pela novas estimativas, as importações devem atingir o recorde de 4,150 milhões de toneladas,78% acima de 2009. O número é bem superior a previsão anterior da entidade (2,8 milhões de toneladas) divulgada em abril.

Segundo o presidente do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, o crescimento das compras externas de aço reflete uma combinação de fatores, que vão desde a apreciação do real e o aquecimento da demanda por produtos siderúrgicos no Brasil até a queda nos preços no mercado internacional. Lopes afirma ainda que os números estão sendo engordados em função de uma "importação especulativa".

Para o IABr, o reajuste acima de 100% no minério de ferro e a sobreoferta de aço no mercado externo estimularam os distribuidores a importar, apostando em aumento nos preços no Brasil. "Muita gente trouxe material achando que teria alta substantiva do aço, o que não ocorreu e agora estão empanturrados de aço, que nem jiboias."

Para Lopes, os dados do primeiro semestre apresentados pelo instituto só ratificam que a economia brasileira não precisa de "artificialismos", como a adoção de alíquotas zero na importação de aço. Ele citou o período de 2005 a 2008, quando houve suspensão da tributação e, mesmo assim, as importações não cresceram na mesma intensidade registrada este ano.

O IABr projeta ainda outro recorde para 2010, no volume de consumo aparente ( vendas internas mais importações). O consumo deverá atingir 24,980 milhões de toneladas de , 34,5% acima das 18,576 milhões de toneladas de 2009. Em abril, quando o instituto divulgou sua última projeção, a perspectiva era um consumo aparente de 23,1 milhões de toneladas.

Já a produção de aço brasileira deve fechar 2010 com 33,161 milhões de toneladas, 25,1% acima do patamar de 26,506 milhões de toneladas do ano passado. Se confirmada a meta, retornará aos níveis de 2008, antes dos efeitos negativos da crise global. O instituto trabalha ainda com vendas internas de aço de 21,1 milhões de toneladas, 29,1% acima das 16,345 milhões de toneladas vendidas em 2009. ''Efetivamente aconteceu uma recuperação do setor influenciada pelas medidas do governo anticíclicas'', destacou Lopes.

Preço O presidente do instituto prevê ainda uma trajetória ascendente para os preços de produtos siderúrgicos, por conta de pressões de custos motivadas pelos reajustes do minério de ferro e do carvão, insumos que respondem por 50% dos custos de produção. Segundo ele, as siderúrgicas não repassaram os aumentos aos clientes integralmente. "É evidente que em algum aumento terá que ocorrer. Mas, não sabemos em que momento e qual a intensidade", afirmou.

As siderúrgicas estão preocupadas com a decisão das grandes mineradoras de adotar reajustes trimestrais com base na cotação do minério no mercado à vista chinês. O novo sistema, segundo Lopes, trouxe ainda mais volatilidade. As três grandes mineradoras - BHP, Vale e Rio Tinto - respondem por cerca de 80% do fornecimento do insumo.

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