Importação de carros derruba saldo comercial

Empresas antecipam compra de veículos para fugir do IPI mais alto e superávit em dezembro cai para US$ 130 milhões

RENATA VERÍSSIMO/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

Para fugir do aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que entrou em vigor na última sexta-feira, as empresas decidiram antecipar as importações de veículos. As compras de carros importados subiram 61,5% até a terceira semana deste mês em relação à média diária registrada em dezembro de 2010, o que teve impacto sobre o resultado da balança comercial.

Em razão do forte aumento das compras no exterior e da perda de ritmo das exportações neste mês, o superávit comercial acumulado em dezembro está em apenas US$ 130 milhões, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Além dos carros, impulsionaram as importações as compras de adubos e fertilizantes, combustíveis lubrificantes e produtos farmacêuticos.

As compras internacionais somam este mês US$ 11,005 bilhões, com média diária de US$ 917,1 milhões e crescimento de 35,4% em relação a dezembro de 2010. As exportações registram alta de apenas 2% em relação a dezembro do ano passado. As vendas externas totalizam US$ 11,135 bilhões até a terceira semana deste mês, com média diária de US$ 927,9 milhões.

O movimento de antecipação das importações de veículos já havia ocorrido em novembro, quando as compras de automóveis fabricados em outros países cresceram 64% em relação a novembro de 2010. Foi justamente para conter essas importações que o governo anunciou, há cerca de três meses, o aumento de 30 pontos porcentuais no IPI para carros com baixo índice de componentes nacionais.

Como a medida não pode entrar em vigor imediatamente, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as empresas aproveitaram os últimos dias de IPI menor para importarem os veículos.

Nas exportações, houve aumento de 10,4% nos embarques de produtos manufaturados e de 2,1% nos produtos semimanufaturados. De outro lado, as exportações de produtos básicos caíram 4,6%, por causa, principalmente, de petróleo, milho em grãos, farelo de soja e minério de ferro.

No ano, as exportações somam US$ 245,047 bilhões, 27,2% a mais que no mesmo período de 2010. As importações acumulam US$ 218,943 bilhões, crescimento de 24,4% no período. O superávit comercial no ano está em US$ 26,104 bilhões. A estimativa do MDIC é de que a balança feche o ano com um saldo comercial positivo em torno de US$ 27 bilhões.

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