Importação de carros tem alta de 170%

Com a ajuda do câmbio, vendas quase triplicaram em relação a fevereiro de 2009

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

As vendas de carros importados quase triplicaram em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo período de 2009, segundo pesquisa da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva).

No mês passado, as 22 marcas filiadas à entidade venderam 5.422 veículos, com crescimento de 170,8% em relação a fevereiro de 2009 e 6,9% na comparação com janeiro deste ano. A coreana Kia Motors respondeu por mais da metade (61%) das unidades vendidas em fevereiro. Só no primeiro bimestre foram emplacados 10.495 veículos, com elevação de 168,7% no período.

José Luiz Gandini, presidente da Abeiva, atribui esse desempenho ao câmbio favorável às importações, crédito farto para compra de veículos, aumento no número de revendas e à base fraca de comparação.

"No início do ano passado, estávamos no auge da crise financeira internacional que afetou o mercado de veículos e hoje temos um mercado sem crise", afirma o executivo, lembrando os incentivos tributários dados pelo governo para a venda de veículos, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A taxa de crescimento das vendas de importados é significativa em fevereiro mesmo se forem expurgadas as oito marcas que ingressaram na Abeiva no período e passaram a fazer parte das estatísticas: Aston Martin, Audi, Chery, JAC Motors, Jaguar, Land Rover, Spyker e Volvo. Se forem consideradas apenas as 14 marcas de importados que fizeram parte da pesquisa em fevereiro de 2009, o crescimento foi de 145,2% na comparação anual.

Diante do bom desempenho das vendas de veículos importados, a Abeiva ampliou as estimativas de venda das marcas este ano.

Em janeiro, Gandini projetava que seriam vendidos em 2010 cerca de 56 mil veículos importados. Agora a perspectiva é de que as vendas somem 80 mil unidades. Em 2009 foram negociadas 47 mil unidades.

"Estamos convictos de que 2010 será um bom ano para o nosso setor, tanto na categoria de carros mais luxuosos como na de veículos de trabalho", diz o presidente da Abeiva.

Gandini pondera que, apesar do crescimento significativo de vendas previsto para este ano, se ele realmente for atingido, o setor estará apenas retomando o patamar de 1996. Naquele ano forem vendidos 96 mil veículos importados.

O executivo ressalta que um dos obstáculos ao avanço dos importados é que o Brasil tributa em 35% esses veículos. "É uma das maiores alíquotas de imposto de importação do mundo", diz Gandini. Desde 2000, o governo aumentou a alíquota sobre o produto para frear as compras externas.

Participação. Apesar do crescimento expressivo nas vendas de importados das marcas associadas à Abeiva, a participação dos produtos vindos do exterior no mercado total de veículos ainda é pequena. Segundo a Abeiva, em janeiro, as vendas de importados respondiam por 2,52% da venda total de veículos no mercado interno. Em fevereiro, essa participação subiu para 2,57%.

"Essa participação no mercado total interno é muito insignificante para as empresas sem fábricas no País. O fator que limita a expansão dos importados é a elevada carga tributária", diz Gandini. De acordo com o novo presidente da Abeiva, que estará à frente da associação no biênio 2010/2011, uma alíquota de 20% de imposto de importação seria razoável para setor.

Das vendas totais de veículos importados, que incluem os carros comprados no exterior pelas montadoras estabelecidas no País, a participação das marcas representadas pela Abeiva passou de 11,8% em janeiro para 13,4% em fevereiro. Neste ano, a perspectiva é de que o País importe cerca de 500 mil veículos e a participação das marcas filiadas à Abeiva será um pouco mais de 15%, calcula Gandini.

Até dezembro, existe a possibilidade de que mais quatro marcas de importados sejam incorporadas às estatísticas da Abeiva. As italianas Ferrari e Maserati devem voltar a fazer parte da associação. A Lamborghini e a inglesa Bentley, que acaba de confirmar a primeira loja da América do Sul, localizada em São Paulo, também devem se filiar à Abeiva.

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