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Importação de combustíveis cresce e deve gerar déficit de US$ 11,5 bilhões

Com o aumento do consumo interno de combustíveis, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) prevê que o Brasil terá um déficit externo de US$ 9 bilhões com o diesel e de US$ 2,5 bilhões com a gasolina, o que deve pressionar o resultado da balança comercial

Gabriela Vieira, Luiz Guilherme Gerbelli e Renata Veríssimo, com Reuters, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2014 | 02h00

A balança comercial brasileira deve sofrer mais um revés este ano. Ontem, a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, previu um aumento do déficit na balança de combustíveis este ano.

A declaração de Magda foi feita para jornalistas na saída no Seminário Internacional de Biocombustíveis, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), em São Paulo.

Nas projeções da ANP, o déficit da balança de gasolina deve ficar em US$ 2,5 bilhões no fim deste ano, superior ao saldo negativo de cerca de US$ 2 bilhões em 2013. Para a balança de diesel, a estimativa é de elevação do déficit para US$ 9 bilhões em 2014, ante cerca de US$ 7,5 bilhões no ano passado.

"O déficit persiste porque o País está crescendo e o mercado de derivados cresce mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, muito mais", afirmou Magda. Em 2013, o PIB do País teve alta de 2,3%, mas a demanda por derivados do petróleo avançou 4,6%.

Para o cálculo, Magda considerou um cenário com aumento de aproximadamente 4% na demanda de derivados do petróleo, enquanto o parque de refinarias brasileiro será mantido. A executiva também aposta na similaridade de preços com os observados no último ano, mas não soube especificar qual o câmbio utilizado para o cálculo.

Segundo a agência de notícias Reuters, as importações de gasolina pela Petrobrás deverão quase dobrar em 2014, com a estatal correndo para atender ao crescimento do consumo interno de combustíveis. As compras externas de gasolina estão previstas para atingir cerca de 60 mil barris/dia na média de 2014, ante 32 mil barris/dia em 2013

A importação de combustíveis tem sido um dos principais fatores para o mau desempenho da balança comercial brasileira. No ano passado, o Brasil teve superávit de apenas US$ 2,56 bilhões, e a chamada conta-petróleo - que inclui gasolina, diesel e nafta, por exemplo - registrou um rombo de US$ 22 bilhões. "Existia uma expectativa de que haveria uma queda de US$ 10 bilhões nesse valor", disse José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A redução no déficit da conta-petróleo é fundamental para que o Brasil consiga um superávit ao fim deste ano, segundo Castro. As exportações brasileiras já têm sido prejudicadas pelas crises econômicas da Venezuela e da Argentina. O preço de venda do minério de ferro - um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira - também tem caído. O Brasil ainda enfrenta uma seca, que deve prejudicar a colheita de grãos.

"O cenário já não está muito bom. Um aumento do déficit da conta-petróleo não fazia parte do script", disse Castro.

Resultado. Neste ano, a balança comercial acumula um déficit de US$ 5,78 bilhões. Ontem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou os dados das duas primeiras semanas de março, com um superávit de US$ 401 milhões. Apesar do sinal de melhora, o resultado foi insuficiente para compensar os déficits históricos da balança comercial em janeiro e fevereiro.

Na avaliação do presidente da AEB, a balança deve manter superávits em março, abril e maio em razão principalmente das exportações de soja. "Não tem por que não ter superávit este mês", afirmou. "Mas não se pode falar em recuperação da balança", destacou.

Em dezembro, a entidade estimou um superávit de US$ 7,2 bilhões para 2014. O número deve ser revisado para baixo. Os economistas das instituições financeiras, ouvidos pelo Banco Central para a pesquisa Focus, apostam em um superávit comercial de US$ 5 bilhões em 2014. O valor, no entanto, vem sendo reduzido. Há um mês, a projeção era de US$ 7,9 bilhões.

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