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Importação de combustível despenca e alivia a balança comercial brasileira

Analistas elevaram a previsão de saldo comercial de 2015 de US$ 5 bi, de acordo com projeções do início do ano, para US$ 8 bi, segundo estimativas desta segunda-feira; o resultado é influenciado pela queda das importações, em especial, de combustíveis

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 07h41

A forte queda na importação de combustíveis e lubrificantes está favorecendo o resultado da balança comercial do País. Nas duas primeiras semanas de agosto, a média diária da compra desses produtos foi de US$ 30,1 milhões, um resultado 82,3% menor que o registrado no mesmo mês de 2014 e 65,1% inferior ao apurado em julho.

A queda na importação de combustível e petróleo tem contribuído para diminuir o tamanho das importações num ritmo superior à queda das exportações. Nas duas primeiras semanas de agosto, a média diária de importações recuou 36% (US$ 588,6 milhões) na comparação com o mesmo mês de 2014, e a de exportações caiu 25,3% (US$ 728,2 milhões). No mês, o superávit na balança é de US$ 1,396 bilhão.

“Nessas duas semanas de agosto, a queda na importação de lubrificantes e combustíveis tem mantido o superávit tão positivo”, afirma Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria Integrada.

A aquisição de petróleo e derivados tem peso relevante nas importações feitas pelo País. Em agosto, por exemplo, a importação desses produtos só ficou abaixo da de equipamentos mecânicos (US$ 95,4 milhões por dia), equipamentos elétricos e eletrônicos (US$ 74,4 milhões), veículos (US$ 54,2 milhões) e produtos químicos orgânicos e inorgânicos (US$ 50,1 milhões). 

“Os números (da importação de petróleo) são muito baixos. É uma queda registrada muito forte”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “Por mais pessimista que houvesse, nunca se poderia imaginar uma redução para esses níveis”, diz Castro.

Embora possa existir um efeito da desaceleração da economia brasileira, da alta do dólar e do recuo do preço dos produtos, ainda é difícil identificar as razões para a queda da importação de petróleo e combustível. “Em tese, pode ser alguma volatilidade. De repente nas próximas semanas pode entrar um volume um pouco maior. Por ora, não há nada que explique a manutenção desse patamar até o fim do ano”, afirma Lavieri, da Tendências. “Ainda que o câmbio esteja ruim, não tem como parar de importar diesel e gasolina”, diz.

Melhora da previsão. De toda forma, a queda mais intensa da importação do que da exportação tem feito com que os analistas revisem para cima a projeção para o saldo da balança comercial deste ano - até a segunda semana de agosto, o comércio exterior brasileiro acumulava um superávit de US$ 6 bilhões. 

No relatório Focus, do Banco Central, a expectativa no início do ano era de um superávit de US$ 5 bilhões para 2015. No boletim divulgado nesta segunda-feira, a projeção subiu para US$ 8 bilhões.

“O saldo na balança pode ser maior do que o previsto por causa da queda nas importações”, diz Castro, da AEB. Em julho, a associação estimou um superávit de US$ 8,064 bilhões. 

A importação tem recuado por causa da forte recessão da economia brasileira e pela desvalorização do real em relação ao dólar. E a exportação do País tem sofrido pela queda nos preços dos manufaturados e, sobretudo, das commodities.

A queda no preço dos produtos básicos é influenciada pela China, grande compradora de commodities, mas os sinais de desaceleração do gigante asiático acabam derrubando os preços dos produtos - na semana passada, o governo chinês promoveu a desvalorizações do yuan para estimular suas exportações e sua economia. 

“O movimento da importação e da exportação tem sido mais intenso do que o esperado”, afirma Lavieri, da Tendências. A consultoria já estima um superávit de US$ 3 bilhões para 2016 - antes, previa um déficit de US$ 500 milhões. 

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