Importação de feijão terá efeito limitado nos preços

Déficit no abastecimento é superior a 500 mil toneladas e importações da Argentina, da China e do México não são suficientes para cobrir o rombo, avaliam analistas

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2016 | 09h55

SÃO PAULO - A decisão do governo de liberar a importação de feijão de fora países do Mercosul, como México e China, ajuda, mas não resolve a disparada dos preços do grão ocorrida nas últimas semanas. Entre final de maio até a terceira semana deste mês, o preço médio do quilo do feijão carioquinha no varejo subiu mais de 50% na cidade de São Paulo, segundo pesquisa da cesta básica da Fundação Procon-SP. Nos últimos dias, o feijão carioquinha, que responde por 70% do consumo nacional, era vendido por mais R$ 10 nos supermercados da capital paulista.

“Essa era a única alternativa que restava ao governo para reduzir a velocidade de valorização do preço do feijão carioquinha”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders. Ele explica que hoje o feijão vindo de países que não fazem parte do Mercosul é taxado em 10%. Com essa liberação do imposto, o produto importado poderia amenizar a alta de preço do grão nacional.

Ocorre, porém, que tanto Argentina, como México e China, só exportam feijão preto e, mesmo assim, os volumes disponíveis hoje seriam insuficientes para dar conta do déficit no abastecimento.

“Calculo que a China tenha cerca de 40 mil toneladas para exportar, a Argentina 180 mil toneladas e o México, entre 5 mil e 10 mil toneladas”, diz o especialista. Para ele, a crise de abastecimento é tão grave que, mesmo que o País importasse todo o feijão preto disponível nesses países o problema não seria resolvido.

“A questão só será resolvida em janeiro e fevereiro do ano que vem, quando entra no mercado a primeira safra das águas”, diz Lüders. Outro obstáculo apontado pelo especialista é o tempo que demora para trazer o produto da China, cerca de dois meses.

Déficit. O déficit de abastecimento de feijão neste ano é superior a 500 mil toneladas. O consumo estimado pelo governo é de 3,350 milhões de toneladas e a produção nacional das três safras deve chegar a 2,750 milhões de toneladas. Além disso, os estoques reguladores do governo estão nos níveis mais baixos dos últimos anos: 108 mil toneladas.

Uma combinação desfavorável de fatores levou, segundo Lüders, a queda na produção. Entre eles estão a dificuldade de financiamento, a elevação dos preços da soja e do milho que absorveram áreas destinadas anteriormente ao feijão e finalmente problemas climáticos por causa do El Niño.

“O preço não vai recuar tanto”, diz Jonathan Pinheiro, analista de feijão da consultoria Safras &Mercado. Ontem, no atacado paulista a saca de 60 quilos de feijão carioca era vendida por R$ 525, ante R$ 300 no final do mês passado. A alta é de 75%. O feijão preto também deu um salto no último mês. Ontem a saca de 60 quilos saia por R$ 295 no atacado, ante R$ 197,50 em maio. O avanço foi de quase 50% em 30 dias.

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