Importação de gasolina pode chegar a 90 mil barris

Quantidade este mês é recorde e deve aumentar em dezembro, por causa das férias escolares e viagens de fim de ano

SERGIO TORRES / RIO , O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h55

A ineficiência produtiva e as limitações das refinarias obrigaram a Petrobrás a importar neste mês, que hoje termina, de 88 mil a 90 mil barris de gasolina, revelou ontem a presidente da companhia, Graça Foster. A quantidade é recorde no ano, mas deverá ser superada em dezembro, na previsão da petroleira.

Dezembro é o mês em que sempre ocorre o crescimento do consumo de derivados, por causa do início das férias escolares e das viagens de fim de ano. Essa condição histórica preocupa a Petrobrás, que considera a possibilidade de haver problemas logísticos se o número de barris importados superar os 100 mil.

Após participar pela manhã do Encontro Nacional: Mulher, Ciência e Tecnologia, promovido no Rio pela Petrobrás e pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a Graça afirmou que espera para dezembro o aumento da importação ou, pelo menos, a estabilização das compras no exterior em torno de 90 mil barris. Ela evitou arriscar um número. A média deste ano, disse, é de 80 mil barris comprados no exterior todo mês.

"A tendência agora, férias, é ter um movimento bastante grande, né? Pode aumentar, sim. O consumo está sempre maior, sempre crescente. Até o final do ano a tendência é no mínimo ficar como está. Cair, não vai cair", disse ela em referência às importações até 31 de dezembro.

Graça reafirmou que não aguarda um reajuste dos combustíveis. Este ano, quando da confecção do Plano de Negócios 2012-2016, a companhia pediu 15% de aumento ao governo federal, seu principal controlador. A solicitação não foi atendida até agora. "Não tem previsão, não tem previsão", repetiu ela, para quem a Petrobrás, este ano, "está com as contas fechadas" e "muito bem com o caixa".

Investigação. Segundo a presidente, a companhia está à disposição do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para explicar a compra este ano da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. "Somos uma empresa estatal, com atividades enormes. Sempre que convocados estaremos falando, explicando, justificando, demonstrando."

A refinaria americana custou US$ 1,18 bilhão, 28 vezes mais do que o pago em 2005 pela ex-proprietária, a trading Astra, da Bélgica. O negócio está sob suspeita da Comissão de Minas e Energia da Câmara, que quer acionar o TCU para auditar as contas da Petrobrás, como o Estado revelou ontem.

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