Importação de genéricos fortalece concorrência

O ministro da Saúde, José Serra, criticou ontem a indústria farmacêutica no Brasil por não colaborar com a fabricação de genéricos. "Estamos importando genéricos porque a indústria no Brasil não quer produzi-los. Não quero citar nomes, mas o maior laboratório do País não só não produz, como ainda fala mal do genérico", afirmou ele, durante lançamento, em São Paulo, de uma linha de 12 genéricos importados da Índia pela Ranbaxy-SP Medicamentos Ltda. Quatro desses medicamentos são inéditos no Brasil: sinvastatina (antilipedêmico de nome comercial Zocor), amoxicilina com clavulonato de potássio (antibiótico, Clavulin), cefaclor (antibiótico, Ceclor) e Lovastatina (antilipidêmico, Mevacor). Com estes, o público tem à sua disposição agora 57 produtos diferentes, em várias apresentações. A tática da importação é forçar a indústria nacional a fabricar o remédio e aumentar a concorrência. Consumidor pode economizar com genéricosNo Brasil, o genérico custa 40% do preço do medicamento original, mas com a concorrência a diferença deverá aumentar ainda mais, segundo Serra. O ministro informou que o governo adotou um procedimento especial simplificado para a importação de medicamentos, com prazo de um ano. Após este período, os laboratórios terão que produzir os genéricos no País. O objetivo é atrair investimentos no setor. Entre fevereiro e novembro deste ano, o número de laboratórios produtores de genéricos subiu de quatro para 16; os fármacos (principios ativos) passaram de 11 para 81 e as apresentações (embalagens e veículos diferentes) subiram de 26 para 532. O ministro disse que, para manter os avanços, o governo investirá mais em propaganda, para conscientizar o consumidor sobre essa opção mais barataDivulgação e TributaçãoO governo deve intensificar campanha de marketing para genéricos. A lei agora permite que o governo divulgue esses medicamentos na TV, o que está sendo feito, mas há planos para inserções no horário nobre para o ano que vem. Segundo Serra, o ministério enviará cartas aos médicos, pedindo que eles recomendem esses medicamentos a seus pacientes. "Vamos intensificar esse trabalho com os médicos", prometeu o ministro.Também foi aprovada a mudança das embalagens de genéricos, para que ganhem visibilidade nas prateleiras. A indústria farmacêutica terá quatro meses, a partir da publicação no Diário Oficial da União, prevista para essa semana, para adequar-se à lei. A embalagem terá uma tarja laranja com a letra G em negrito. O ministro espera que o Senado aprove o projeto que isenta de pagamento de PIS e Cofins cerca de 1.500 medicamentos de uso contínuo e antibióticos. Segundo Serra, alguns Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal, são favoráveis à redução da carga tributária, mas aguardam a decisão do governo federal para implementar o corte de impostos. "O remédio brasileiro é um dos mais tributados do mundo", disse o ministro.

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