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Importação de produtos brasileiros pela Argentina cai 65%

As exportações argentinas para o Brasil despencaram 14,5% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado. O anúncio foi feito pelo Centro de Estudos Bonaerenses (CEB), que informou que o volume das vendas argentinas ao mercado brasileiro chegou a US$ 442 milhões em abril, valor inferior aos US$ 517 milhões do ano passado. As importações de produtos provenientes do Brasil também despencaram, registrando uma queda de 65% em comparação com abril de 2001. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 178 milhões, enquanto que no mesmo mês do ano passado as vendas haviam sido de US$ 508 milhões. Segundo o CEB, a Argentina passou de ser o segundo destino das exportações brasileiras para ficar no sexto lugar do ranking. No entanto, a Argentina continua mantendo o superávit comercial com o Brasil, uma situação que permanece sem modificações desde 1994. Nos primeiros quatro meses deste ano a Argentina obteve um saldo favorável de US$ 1,043 bilhão, enquanto que no mesmo período do ano passado foi de US$ 309 milhões. PrioridadeDurante os últimos três anos o Mercosul foi o bode expiatório de parte da crise argentina, e entre os países-sócios o vilão principal era o Brasil. A desvalorização do real causou uma onda de protestos contra a entrada de produtos made in Brazil. Além disso, as relações entre os dois países ficaram tensas graças à uma miríade de conflitos comerciais, que envolviam os mais diversos produtos, indo dos suínos a automóveis. Mas nos últimos quatro meses a relação começou a dar uma guinada. A Argentina mergulhou mais ainda na recessão - que já dura quatro anos - desvalorizou a moeda, e foi várias vezes prensado pelo FMI, que passou a exigir maiores medidas de ajuste. Com este novo cenário, onde a desvalorização da moeda argentina superou a brasileira, os temores da tantas vezes alardeada "invasão de produtos brasileiros" acabaram, e os argentinos começaram a ver que a salvação da economia do país pode estar do outro lado da fronteira. Os políticos e empresários, que até pouco tempo definiam o Brasil como "corsário econômico", agora se apressam em pronunciar elogios diários. Desta forma, o bloco comercial do Cone Sul recuperou sua imagem entre os argentinos. Segundo uma pesquisa da Gallup, 42% dos argentinos consideram que a Argentina deveria estreitar os laços com os países do Mercosul. Esta proporção havia sido de 24% no ano passado. Outros 22% preferem a União Européia como prioridade argentina em política externa. Os Estados Unidos, país com o qual ao longo dos anos 90 a Argentina manteve uma política de "relações carnais" (segundo a definição do chanceler da época, Guido Di Tella), atualmente somente interessa a 16% dos argentinos.

Agencia Estado,

06 de maio de 2002 | 18h19

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