Importação de resinas já equivale a um Comperj

Participação de resinas importadas no mercado brasileiro deve fechar o ano em 29%

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h08

A importação brasileira de resinas, utilizadas na produção de plásticos em geral, já atinge patamares semelhantes à capacidade prevista no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), aquele que será o maior polo petroquímico do País.

Com a aceleração das compras externas a partir do segundo semestre, o volume de importações de polipropileno (PP), polietilenos (PE) e PVC já está na casa de 130 mil toneladas mensais, ou aproximadamente 1,5 milhão de toneladas em números anualizados. É o mesmo patamar de produção de PP e PE previsto inicialmente no Comperj, o que cria um problema duplo para a indústria nacional: encontrar mercado para a produção do novo complexo, isso em um momento no qual o produto nacional perde espaço para o estrangeiro.

Com o avanço dos importados, a participação de mercado desses produtos no Brasil deve encerrar 2011 na casa de 29%. O número representa um salto de praticamente 100% em relação a 2006, quando as importações respondiam por 15% do mercado, conforme projeções da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). No ano passado, a participação ficou em 24%. Caso as projeções de executivos do setor se confirmem, a importação de resinas vai superar neste ano, de forma inédita, a barreira de 1,3 milhão de toneladas - até 2009, a importação permanecia abaixo de 1 milhão de toneladas anuais. Com isso, as importações tendem a crescer aproximadamente 13% em relação ao total de 1,2 milhão de toneladas do ano passado, enquanto as vendas internas devem apresentar retração na mesma base comparativa.

A situação enfrentada pela indústria local de resinas termoplásticas, representada por Braskem e Solvay Indupa, é semelhante àquela registrada pela indústria química em geral. Segundo a Abiquim, a participação dos produtos importados no indicador de consumo aparente nacional (CAN) do setor passou de 7% em 1990 para mais de 30% este ano. Entre 1990 e 2010, as importações tiveram alta acumulada de 699,74% ante variação positiva de 57,34% na produção no mesmo período. "Vemos que as importações são responsáveis por atender todo o crescimento da demanda doméstica neste ano", destaca a diretora de Economia e Estatística da entidade, Fátima Giovanna.

A indústria química representa aproximadamente 19% do total de importações realizadas pelo Brasil, segundo a Abiquim. Por isso, é um dos setores da indústria nacional que mais prejudica o saldo da balança comercial brasileira. Para este ano, a previsão do setor é de registrar déficit comercial de aproximadamente US$ 25 bilhões. O número, caso se confirme, representará um novo recorde histórico de importações, com alta de 20% em relação a 2010 e de quase 8% ante o recorde atual, de US$ 23,2 bilhões em 2008.

A explicação para o maior déficit do setor é o incremento de quase 20% nas importações, que devem romper a barreira de US$ 40 bilhões. Até outubro, as importações somaram US$ 34,9 bilhões, com alta de 26,7% em relação aos dez primeiros meses de 2010. Diante do fluxo de produtos importados, a indústria química opera desde outubro do ano passado com taxas de utilização de capacidade inferiores a 90%. A situação tem origem na perda de competitividade da indústria nacional, reflexo principalmente da valorização do real.

Maior petroquímica do País e única fabricante interna de produtos como polipropileno e polietileno, a Braskem tem sofrido com o avanço dos importados. No terceiro trimestre, as vendas domésticas da companhia cresceram 12% em relação ao segundo trimestre, um ponto porcentual abaixo do incremento da demanda interna no mesmo período. Na comparação com o terceiro trimestre, o indicador teve leve retração. "É a primeira vez em trimestres que tivemos estabilidade em relação ao ano anterior", diz o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas.

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