Importação de têxteis subiu 240% desde 2007

Associação de fabricantes fala no risco de 'perda de um milhão de empregos' para convencer o governo a adotar salvaguardas contra importados

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h03

As importações de roupas cresceram 240% entre 2007 e 2011, saltando de 23 mil toneladas para 78 mil toneladas. No primeiro semestre deste ano, avançaram mais 30% em relação a igual período de 2011. A participação das roupas vindas no exterior no consumo dos brasileiros saiu de 3% em 2005 para 9% em 2011 e pode chegar a 13% no fim deste ano.

Estes são os principais dados que embasam o pedido da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), protocolado ontem no ministério do Desenvolvimento, para que o governo estabeleça cotas para a importação de vestuário. No documento, a entidade argumenta que, se nada for feito, "o mercado nacional será tomado por importados em 10 anos, o que implicaria no fechamento de cerca de 30 mil confecções e na perda de 1 milhão de empregos diretos".

O instrumento técnico de defesa comercial escolhido pela Abit é a salvaguarda, que é uma espécie de "trégua" contra um "surto de importações", em que o setor ganha um período "ajuste"e se compromete com investimentos, para competir com os produtos importados.

Dano. Pelas regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), não basta que o país demonstre o forte aumento das importações para obter a salvaguarda. É preciso também comprovar que houve um "dano grave" à indústria. Nos documentos apresentados pela Abit, 35 empresas abriram seus números para provar os prejuízos.

Apenas os dados agregados são públicos e demonstram perdas em um ritmo muito inferior ao das importações. No ano passado em relação a 2010, as importações de vestuário cresceram 42%, enquanto a produção brasileira caiu 1,2%, as vendas no mercado interno recuaram 1%, e o consumo aparente subiu 1,5%.

A Abit argumenta, porém, que só em 2011 foram perdidos 11.729 empregos diretos e que o problema está se tornando mais grave. No primeiro semestre deste ano, a produção nacional de vestuário caiu 13%, enquanto as importações subiram 30%.

"Sentimos com muito vigor o impacto das importações no passado", disse Ricardo Morais, diretor comercial da Cuecas D'Uomo, uma das empresas que participou do processo. Ele conta que sua produção caiu 12% em 2011 e que foi obrigado a demitir 5% do quadro de funcionários. A empresa tem fábrica no Rio de Janeiro e emprega mil pessoas.

"Estamos nos esforçando para manter o mesmo patamar de produção ano passado. Considerando a inflação e reajustes de custos, não vemos isso como um resultado positivo", disse Julio Chiang Chin Long, dono da fabricante de roupas infantis Green.

Até a aplicação efetiva da salvaguarda, se for o caso, ainda deve demorar. O governo agora vai avaliar se há elementos que justificam a abertura da investigação. Depois, serão ouvidas as partes envolvidas, o que pode levar 10 meses. Mas o setor já começa a se mobilizar e, ontem à noite, enviou um documento explicando as salvaguardas aos deputados que o apoiam no Congresso.

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