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Importação é 'colchão' para prevenir inflação, diz Coutinho

Para presidente do BNDES, porém, no longo prazo cabe ao banco financiar projetos para conter alta de preços

Paula Puliti, da Agência Estado ,

24 de setembro de 2007 | 19h50

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta segunda-feira, 24, que, além das ações do Banco Central para conter a inflação no curto prazo, as importações são um colchão de segurança para prevenir pressões inflacionárias.  No entanto, no longo prazo, cabe ao BNDES o papel de evitar a alta da inflação, ao financiar projetos de aumento da oferta e da redução dos gargalos produtivos e de infra-estrutura. "A política monetária olha para a demanda e o uso da capacidade, mas é o aumento da oferta que previne a alta dos preços, capaz de conciliar crescimento econômico e estabilidade de preços", disse. Apesar de reconhecer o papel das importações sobre os preços, o presidente do BNDES voltou a defender a adoção de uma política monetária que previna o que ele chamou de "apreciação tendencial do câmbio". Coutinho considera que a pequena depreciação (5%) do real frente ao dólar, que aconteceu no auge da crise externa, levou a cotação para um patamar mais próximo dos R$ 2,00, "mas infelizmente" o real voltou a se valorizar. Ele também voltou a defender um câmbio mais próximo da necessidade do setor produtivo. Ele considera positivas as intervenções do Banco Central no dólar, comprando moeda, ação que evitou a continuidade da alta do real, segundo ele. O presidente do BNDES acredita que, passado o período mais forte da crise internacional, "em algum momento o Banco Central poderá reconsiderar esta postura de aumento das reservas." Financiamentos O presidente do BNDES afirmou também que, apesar do hiato de R$ 30 bilhões entre as aprovações de projetos em 12 meses até agosto e os desembolsos, o banco não deixará de financiar projetos com retorno econômico e social por falta de recursos. Coutinho admitiu que há pressão no funding do banco, mas reiterou que o BNDES está buscando no mercado de capitais interno e externo os recursos necessários. "Isso não me preocupa, porque o BNDES é uma entidade muito bem avaliada", afirmou o economista.  Coutinho acredita que o aumento do investimento de 14% ao ano na média, entre 2007 e 2010, mostra que não a produção está se adequando ao aumento da demanda. A taxa de investimento em relação ao PIB deverá passar de 18% previstos para 2007, para 21% em 2009. Ele afirmou que o Brasil pode ser "um porto seguro para o capitais órfãos" da crise do subprime nos Estados Unidos, porque o País tem projetos rentáveis e um mercado de capitais pujante capaz de garantir retorno aos investimentos. "A crise internacional foi um teste que mostrou a robustez da economia brasileira diante de um cenário externo desfavorável", disse o economista. Para ele, o País pode se juntar a outras economias em desenvolvimento, como a da China e da Índia, para auxiliar o dinamismo da economia mundial, afetada pela crise nos mercados das nações em desenvolvimento. Coutinho falou a representantes do setor privado em almoço na Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).

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