Importação em queda ainda dita o ritmo da balança

Para presidente da AEB, aumento da exportação em fevereiro não deve ser considerado uma tendência

Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2016 | 20h54

O avanço da exportação ainda não é reflexo de uma melhora substancial do quadro do comércio exterior brasileiro, segundo analistas. Embora tenha havido uma alta de 4,6% na venda de produtos nacionais em fevereiro ante o mesmo mês de 2015, o superávit foi fortemente influenciado pela queda de 34,6% nas importações no período.

Para os analistas, o retrato da balança comercial deste ano deverá repetir o de 2015: o superávit será expressivo, porém mais influenciado pela redução nas importações. De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados ontem, no acumulado do primeiro bimestre, as exportações cresceram 4,7% e as importações caíram 35,1% na comparação com igual período de 2015. “A alta verificada nas exportações em fevereiro não deve continuar a ocorrer quando começarem a pesar os preços das commodities”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). 

Os números do ministério até sugerem um alívio nas exportações de produtos manufaturados por causa da desvalorização do real e pela busca por novos mercados. No bimestre, a exportação de manufaturados subiu 0,5%. “A tendência é de pequeno aumento nos manufaturados, mas deve ocorrer uma queda nos produtos básicos”, afirma Castro. “O superávit deste ano pode superar até os US$ 35 bilhões, mas ele vai depender da queda dos preços das importações e dos preços das commodities.”

Navios. Em alguns setores, o forte crescimento das exportações não significou aumento da demanda internacional. Segundo os dados do ministério, o volume de suco de laranja exportado em fevereiro avançou 205% comparado com janeiro. Segundo o diretor executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, o aumento exponencial, no entanto, deve-se a uma circunstância: o número de navios que atracaram nos portos brasileiros.

Ele explica que há nove navios que fazem o transporte de suco de laranja. “Em alguns momentos pode haver um atraso na atracação das embarcações e aí temos uma queda nas exportações. Nesse caso, houve um acúmulo de navios no período, que embarcaram mais mercadorias. Infelizmente não há um fenômeno de demanda.”

No caso das exportações de etanol, o aumento de 168% não bate com a base de dados da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica). O diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, afirma que, pelas contas da associação, o volume de etanol que saiu das usinas na primeira quinzena de fevereiro foi da ordem de 15 mil metros cúbicos (m³). Entre a segunda quinzena de fevereiro e março, a expectativa era embarcar 120 mil m³. Pelos dados do ministério, só em fevereiro foram exportados 306 mil m³.

Ele conta que até janeiro havia uma diferença de 150 mil m³ entre os dados da Unica e do ministério (os dados da associação eram maiores). “Pode ser uma compensação, embora a diferença em fevereiro seja bem grande.” A expectativa da Unica é que na safra atual sejam exportados 1,92 bilhão de litros de etanol – aumento de 28% em relação à última safra.

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