Importações de diesel devem dobrar até 2014

Petrobrás também admite aumento de compras de gasolina nos dois próximos anos; ministério diz que importações podem chegar a R$ 58 bi em 2015

SABRINA VALLE , SERGIO TORRES / RIO , O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h09

As importações de diesel e gasolina, que hoje já deixam um rombo no caixa da Petrobrás, tendem a crescer ainda mais nos próximos dois anos, segundo previsões da estatal divulgadas ontem. No caso do diesel, as importações devem quase dobrar até 2014. As compras no exterior têm potencial para fazer estrago caso a companhia não equipare os preços nas bombas com os praticados no mercado internacional.

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, fez as contas para um cenário de importação de 12 bilhões de litros de gasolina. "No horizonte 2015-2020, isso vai custar R$ 58 bilhões", disse, em evento sobre etanol. "Temos de fazer com que esse cenário não aconteça."

No primeiro semestre, a Petrobrás gastou cerca de US$ 1 bilhão por mês com as importações de diesel e gasolina, o suficiente para anular ganhos da empresa no segundo trimestre, quando foi registrado prejuízo de US$ 1,3 bilhão. O prejuízo acontece porque a Petrobrás atende à demanda crescente com importações no exterior, onde os preços flutuam, enquanto a gasolina permanece há anos com o preço congelado nas bombas.

O diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, evitou comentários sobre aumento de combustíveis em coletiva ontem para detalhar o plano de investimentos de sua área até 2016. Em respostas protocolares, disse que a política de reajustes da Petrobrás é de longo prazo e negou haver pedido de aumento ao governo, controlador da companhia. Nos bastidores, no entanto, sabe-se que o governo prevê algum tipo de reajuste nos próximos meses.

Segundo ele, o alívio nas importações de gasolina deve vir da recuperação do mercado de etanol. A partir do ano que vem já haverá oferta para retomar a mistura de 25% de etanol na gasolina, contra os 20% atuais, disse Cosenza. Mesmo assim, as importações passariam dos atuais 70 mil a 80 mil barris diários (b/d) para 90 mil b/d entre 2014 e 2016, já que nenhuma das novas refinarias processará esse combustível. "Trabalhamos com a recuperação da utilização dos biocombustíveis na gasolina. Achamos que é fundamental para o País, não só pela redução da importação, como pelo aspecto da qualidade."

Já no diesel, o cenário melhora com a entrada em funcionamento de novas refinarias a partir de 2014, especialmente a Refinaria Abreu e Lima. Comperj, e Premium 1 e 2, ainda em fase de avaliação, devem entrar nos anos seguintes. Cosenza disse que os três projetos nem sequer têm orçamento total calculado. Até 2014, o cenário é de alta nas compras externas. Hoje, são importados de 150 mil a 160 mil b/d de diesel, número que deve pular para 280 mil b/d em 2014, caindo para entre 100 mil e 120 mil até 2016.

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