Importações desaceleram expansão dos EUA no 2o tri

O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou no segundo trimestre do ano, com a necessidade de investimento de capital das empresas fazendo as importações crescerem no maior ritmo desde o primeiro trimestre de 1984, mostrou um relatório oficial nesta quarta-feira.

LUCIA MUTIKANI, REUTERS

30 de julho de 2010 | 10h52

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu 2,4 por cento a uma taxa anualizada, disse o Departamento do Comércio em sua primeira estimativa, após a expansão revisada para cima de 3,7 por cento no primeiro trimestre.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que o PIB cresceria 2,5 por cento no segundo trimestre. Previamente, o governo havia informado uma expansão de 2,7 por cento primeiro trimestre deste ano.

"A antecipada desaceleração da economia está ocorrendo. Será que os investimentos vão despencar pelo desfiladeiro no próximo trimestre se o consumo doméstico continuar fraco?", questionou Lee Olver, diretor de estratégias financeiras na Madison Williams & Co., em Houston.

A economia, que está saindo de sua pior recessão desde a década de 1930, registrou seu quarto trimestre de crescimento, mas o ritmo tem sido moderado, com impacto limitado sobre a alta de desemprego.

Uma economia ainda relativamente sem força e o grande desemprego tem desgastado a popularidade do presidente Barack Obama. Uma pesquisa Reuters-Ipsos mostrou esta semana que apenas 34 por cento aprovam a condução da economia e da questão dos empregos por Obama, enquanto 46 estão insatisfeitos.

IMPACTO DAS IMPORTAÇÕES

A expansão do segundo trimestre foi contida por um salto de 28,8 por cento das importações, que ofuscou o avanço de 10,3 por cento das exportações. Isso gerou um déficit comercial que tirou 2,78 pontos percentuais do PIB, a maior subtração desde o terceiro trimestre de 1982.

Tirando o setor externo, no entanto, os dados foram positivos. Os estoques empresariais avançaram 17 por cento, a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2006, após a alta de 7,8 por cento nos primeiros três meses do ano.

O gasto com equipamento e software foi o maior desde o terceiro trimestre de 1997.

A construção de moradias saltou 27,9 por cento, depois de ter sido um dos pontos negativos do primeiro trimestre, refletindo os estímulos dados por um crédito fiscal a compradores. A alta foi a maior desde o terceiro trimestre de 1983.

O relatório trouxe alguns pontos de preocupação também. O gasto do consumidor não foi tão forte quanto se espera, crescendo 1,6 por cento no segundo trimestre, ante 1,9 por cento no primeiro, dado revisado ante a leitura preliminar de 3 por cento. O gasto com do consumidor normalmente representa 70 por cento da atividade econômica dos EUA.

Os estoques empresariais aumentaram 75,7 bilhões de dólares no segundo trimestre, ante 44,1 bilhões de dólares no primeiro.

Excluindo os estoques, que podem limitar a produção futura, a economia teria se expandido apenas 1,3 por cento no segundo trimestre.

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