Importações permitem aumento da demanda, sem inflação

Os dados detalhados da balança comercial no primeiro semestre mostram que, na categoria de bens de consumo, puxaram o aumento dos bens duráveis os veículos automóveis(109,4%); as máquinas e aparelhos de uso doméstico (76,6%); os móveis e outros equipamentos para casa (30,5%); os utensílios domésticos (29,1%); as partes e peças para bens de consumo duráveis (26,6%); e objetos de adorno, de uso pessoal e outros (16,2%). No item não-duráveis, os principais acréscimos foram em vestuário e confecções (50,7%); bebidas e tabacos (32,7%); produtos alimentícios (27,3%) e produtos farmacêuticos (18,0%), sempre na comparação entre o primeiro semestre de 2006 e o mesmo período de 2005.A economista do Unibanco Giovanna Rocca, ao contrário dos empresários, considera esse incremento muito positivo para a economia brasileira. "Isso sinaliza que a demanda está crescendo, sem pressionar a utilização da capacidade instalada e a inflação", ressaltou. E rebateu os industriais que reclamam da competição provocada pelos importados. "Os setores industriais não enxergam o lado positivo para o cenário macroeconômico, só o setor deles".Os últimos dados de comércio exterior do setor têxtil são, de fato, desanimadores. Em julho, registrou déficit comercial de US$ 49 milhões, o maior dos últimos 72 meses, resultado de queda de 5% das exportações e aumento de 70,5% nas importações, ante o mesmo mês de 2005. O saldo comercial do setor nos primeiros sete meses de 2006 mudou de sinal em relação ao mesmo período de 2005: o superávit de US$ 255,4 milhões foi substituído por um déficit de US$ 50,8 milhões. "A indústria não pode ver esses números como positivos. O nosso e outros setores estão se tornando importadores de produtos de maior valor agregado e exportadores de matéria-prima (no caso, algodão)", disse o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel.Pela explosão das importações, o setor têxtil culpa, sobretudo, o câmbio e a entrada de produtos vindos da China de forma fraudulenta. No ano passado, a China embarcou para o Brasil 32 mil toneladas de confecções, segundo dados oficiais chineses. Mas, pelos números do MDIC, o Brasil comprou da China 22 mil toneladas.O acordo de salvaguardas têxtil aplicado contra as importações chinesas não tem dado os resultados esperados pela Abit, que participou da elaboração do acordo, porque os dois países não conseguem fechar um acordo para a harmonização de estatísticas, o que dificulta o controle dos produtos que entram no País. "Gostaríamos que alíquota de importações têxteis fosse ao máximo (35%), ainda que temporariamente", defendeu o empresário. Hoje, as alíquotas estão em 20%. "Tudo isso contribuiu para a redução de investimentos no nosso setor", completou o empresário.

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