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Importações: prejuízo para alguns setores; vantagens para outros

O crescimento das importações está gerando impactos diferenciados nos indicadores econômicos. Enquanto a indústria amarga uma recuperação lenta e discreta com a concorrência dos importados, os índices de preços ao consumidor e as vendas do varejo se beneficiam da entrada de produtos mais baratos no País. "Há um vazamento para o exterior da recuperação da economia, lentamente a economia está se recuperando, mas boa parte disso não tem ficado para a indústria doméstica", alerta o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira.Segundo dados da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) reunidos pela coordenação de indústria do IBGE, as importações de bens de consumo duráveis cresceram, em quantidade, 93,5% em agosto deste ano ante igual mês do ano passado. Crescimentos menores, mas significativos, ocorreram também em bens de capital (18,8%), bens intermediários (14,2%) e bens de consumo não duráveis (20,3%).O coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, avalia que os últimos dados do setor apurados pelo instituto, relativos a agosto, "sugerem que há espaço na demanda interna, de duráveis e não duráveis, que vem sendo ocupado pelas importações".Segundo Pereira, a concorrência dos importados leva a um quadro preocupante, já que os industriais começam a prever que, mesmo com um aquecimento mais forte da economia, isso não reverterá em encomendas domésticas para o setor. Para ele, apenas uma queda mais forte e acelerada dos juros será capaz de amenizar a queda do dólar (que favorece as importações) e melhorar as perspectivas para o setor.Setores mais prejudicadosOs segmentos mais prejudicados com a concorrência dos importados são têxteis, calçados e vestuário, que por sua vez são também os mais intensivos em mão-de-obra. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto no acumulado de 2006 (janeiro a agosto) a produção industrial em geral cresceu 2,8% ante igual período do ano passado, houve queda no período em calçados (-3,6%) e vestuário (-6,1%), enquanto a indústria têxtil cresceu abaixo da média (2,2%).Para Pereira, o câmbio funciona como "duas lâminas no pescoço da indústria" já que, aos problemas gerados nas exportações, agora soma-se também a concorrência das importações. (Jacqueline Farid, segue)ComércioPara o comércio, o aumento das importações é positivo, segundo avalia o chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e economista do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas. Segundo ele, as importações estão se somando ao crédito - ainda o principal estímulo de vendas do setor - para atrair os consumidores.O economista disse que, especialmente em bens de consumo duráveis, há um crescimento da concorrência de eletrodomésticos importados com os nacionais. Contudo, ele avalia que, ainda que isso seja positivo para as vendas do comércio varejista no curto prazo, pode ser uma armadilha no longo prazo, porque pode comprometer a geração de empregos industriais no País, inibindo posteriormente o consumo.Importações têm impacto sobre inflaçãoNo caso da inflação, Thadeu de Freitas explica que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é formado, em grande parte, por produtos com forte componente de importações. "No caso da inflação, as importações estão contribuindo muito para segurar a taxa em baixos patamares", disse, acrescentando que o dólar barato é o principal fator de contenção da inflação em 2006.Para ele, esse efeito benéfico dos importados sobre os índices de preços será ainda mais forte com a proximidade do Natal, já que produtos muito consumidos nesta época, como bacalhau e bebidas importadas, serão ofertados a preços baratos para o consumidor.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 17h24

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