Importações restringem crescimento do PIB dos EUA

A economia dos Estados Unidos cresceu no terceiro trimestre em ritmo mais lento do que o anteriormente estimado, enfraquecida por fortes importações e baixos investimentos em estruturas não-residencias, indicando uma lentidão na recuperação econômica.

LUCIA MUTIKANI, REUTERS

24 de novembro de 2009 | 15h20

Os lucros corporativos aumentaram, com as empresas conseguindo fazer a produção crescer apesar de ainda estarem cortando postos de trabalho, disse um relatório do Departamento do Comércio nesta terça-feira.

A segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) apontou nesta terça-feira alta a uma taxa anualizada de 2,8 por cento, segundo o Departamento de Comércio, contra leitura preliminar de expansão de 3,5 por cento.

O número ficou um pouco abaixo das expectativas de mercado para um crescimento de 2,9 por cento. Mesmo assim, o crescimento ainda é o mais alto desde o terceiro trimestre de 2007. O PIB mede da produção total de bens e serviços dentro das fronteiras dos EUA.

"Isso demonstra que a retomada foi um pouco menor do que a primeira impressão havia sugerido e destaca que alguns dos fatores que fazem a desaceleração do crescimento continuem a existir", disse Julia Coronado, economista sênior do BNP Paribas, em Nova York.

A volta ao crescimento, após quatro trimestres seguidos de declínio na produção, provavelmente encerrou a pior recessão em 70 anos. No segundo trimestre, a economia havia encolhido 0,7 por cento.

As importações crescentes, que superaram o crescimento das exportações, restringiram o crescimento econômico no terceiro trimestre.

Os embarques cresceram 20,8 por cento, o maior aumento desde o segundo trimestre de 1985, ao invés de 16,4 por cento calculado inicialmente. Elas tiveram um impacto negativo de 2,53 pontos percentuais do PIB, disse o Departamento.

Outra restrição ao PIB veio do setor de construção de estruturas não-residenciais, que caiu 15,1 por cento no último trimestre ao invés de 9 por cento, destacando os problemas no mercado imobiliário. Isso tirou pouco mais de 0,5 ponto percentual do PIB.

ESTOQUES

As empresas reduziram o acúmulo de estoques no último trimestre, numa taxa levemente maior que o esperado. Os estoques caíram 133,4 bilhões ao invés de 130,8 bilhões estimados pelo governo em outubro.

O declínio foi, também, uma redução do recorde de 160,2 bilhões no segundo trimestre. A mudança nos estoques adicionaram 0,87 pontos percentuais ao PIB no terceiro trimestre.

A redução dos estoques é potencialmente uma evolução positiva por sugerir que as empresas podem estar mais próximas de parar de esvaziar seus estoques e começar a fazer novas encomendas.

"Isso leva a um PIB do quarto trimestre melhor, com maiores estoques", disse John Canally, economista da LPL Financial em Boston.

Excluindo-se os estoques, o PIB cresceu a uma taxa de 1,9 por cento ao invés de 2,5 por cento. As vendas finais cresceram 0,7 por cento no segudo trimestre.

O relatório do PIB também mostrou que o lucro corporativo antes de impostos cresceu 13,4 por cento no terceiro trimestre, o maior crescimento desde o primeiro trimestre de 2004. O crescimento do lucro amplamente refletiu os profundos cortes de custo das empresas, a maioria corte de empregos, para lidar com a pouca demanda.

CONSUMO

Os gastos do consumidor não foram tão robustos quanto o governo tinha esperado no mês passado, mostrou o relatório.

Os gastos do consumidor, que normalmente correspondem a dois terços da atividade econômica norte-americana, cresceram 2,9 por cento ao invés dos 3,4 por cento previstos pelo governo.

Ainda assim, foi o maior aumento desde o primeiro trimestre de 2007. O gasto caiu 0,9 por cento no segundo trimestre.

A construção de moradias cresceu 19,5 por cento no terceiro trimestre, abaixo das estimativas anteriores de 23,4 por cento. Além disos, a construção de moradias contribuiu para o PIB pela primeira vez desde 2005. Investimentos residenciais caíram 23,3 por cento no segundo trimestre.

Os gastos do consumidor e o investimento residencial foram apoiados pelos programas de estímulo do governo dos EUA.

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