Importado perde participação no consumo

Estudo da secretaria de Política Econômica do governo mostra que a participação das importações no consumo aparente do País em junho (9,4%) foi a menor desde janeiro de 1995 e 40% abaixo dos dois picos mensais de 16% nos últimos sete anos. Além de constatar a queda da fatia importada e o avanço da exportada, o estudo aponta que as compras externas estão sendo menos afetadas pelas variações da produção e da atividade."A reação das importações ao nível de crescimento está menos intensa, há uma sensibilidade menor, o que permite pensar que um avanço da atividade no futuro não vai produzir um forte crescimento das importações", diz o secretário-adjunto de Política Econômica, Roberto Magno Iglesias. Ressalta, contudo, que para produzir e para exportar é necessário importar, e que não se deve ter o objetivo "de não se importar nada."O quadro de redução da participação das importações no consumo e de aumento das exportações na produção "permite esperar que se trabalhe com saldos comerciais positivos no futuro", analisa Iglesias. O cenário é favorecido pelo quadro de taxa real de câmbio elevada e juros declinantes. Ainda que não tão baixas quanto desejado, as taxas estão hoje inferiores ao que chegaram entre 1997 e 1998.Para Iglesias, o cenário atual da balança, com o câmbio flutuante, gera uma situação melhor para enfrentar o problema da vulnerabilidade externa e dá uma capacidade de reação que, na prática, a Argentina não teve. "A taxa flutuante permite ajustes no setor externo."A participação das importações foi calculada com base no consumo aparente de bens comercializáveis (soma da produção nacional mais importações e menos exportações). A queda de participação se explica porque as importações ficaram mais caras por conta de investimentos na produção de bens comercializáveis, que acabaram gerando substituição competitiva, principalmente a partir de 1999.Com base na média dos últimos 12 meses, o coeficiente de importação, que esteve perto de 14% entre o fim de 1996 e 1998, está agora abaixo de 12%. A participação das importações começou a declinar em 1999 e, na virada do segundo semestre de 2000 para o primeiro de 2001, houve novo aumento do coeficiente, provavelmente relacionado com importações setoriais, como as do setor de telecomunicações. Desde meados do ano passado a taxa vem caindo. Já o avanço das exportações na produção, segundo Iglesias, decorreu do que chama de "aumento da eficiência da economia" nos anos anteriores, mesmo antes da desvalorização de janeiro de 1999, quando o impulso passou a ser maior.

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