Importados limitam crescimento da indústria, mostra Fiesp

Economistas dizem que diferença entre vendas do comércio e produção industrial é preenchida por importados

Paula Puliti, da Agência Estado,

02 de outubro de 2007 | 16h36

Apesar de reiteradas afirmações de ministros de que as importações são puxadas por máquinas e equipamentos para aumentar a produção industrial, a comparação entre a Produção Industrial Mensal e a Pesquisa Mensal de Comércio, ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que em 12 meses encerrados em julho as vendas do comércio cresceram 8,2% e a produção industrial, 4,2%. Economistas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que traçaram a curva entre os dois indicadores, dizem que a diferença de quatro pontos porcentuais está sendo ocupada por produtos importados. Para o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, os importados ocupam um espaço que poderia ser preenchido pela indústria nacional, mas o câmbio valorizado torna a competição francamente favorável ao produto estrangeiro. "Não se trata de falta de competitividade, mas de câmbio", completou o economista Antonio Corrêa de Lacerda, diretor do Departamento de Economia do Ciesp, ressaltando que a diferença entre os dois indicadores vem crescendo mês a mês. Considerando o desempenho da produção industrial de São Paulo em agosto, que ficou estável em relação a julho, o argumento das entidades é o mesmo: "A atividade poderia ter se acelerado, mas a importação limitou o crescimento", disse Lacerda.  Os dados de agosto acumulados em doze meses mostram que a quantidade das importações brasileiras cresceu quase 25%, enquanto a atividade industrial paulista teve crescimento de apenas 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado. "É uma pena, mas a indústria está perdendo esse potencial de produção para os importados", concluiu Francini.

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