Importados querem carona no pacote das montadoras

As empresas que importam veículos reivindicam participação nas discussões sobre um pacote emergencial para salvar o setor automotivo, que vive uma das maiores crises de venda da história. As seis empresas da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) são BMW, Ferrari, Kia Motors, Masseratti, Porsche e Sangyong. Alguns modelos representam o sonho de consumo de muitos brasileiros, cada vez mais distante diante da alíquota de importação de 35% e da fraqueza do real frente ao dólar e ao euro. O diretor executivo da Abeiva, Luiz Carlos Mello, diz que a Abeiva não está sendo chamada para participar das discussões que envolvem o governo, as montadoras nacionais e os sindicalistas do setor."As empresas que comercializam importados não podem ser tratadas dessa maneira discriminatória", diz, acrescentando que já mandou quatro documentos ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Furlan, pedindo para tomar parte nos debates. Participação no mercadoAs empresas filiadas à Abeiva fecharam o primeiro semestre do ano com a comercialização de 2.135 unidades, 59% a menos do que em igual período do ano passado. A entidade reivindica redução na alíquota de importação e em outros impostos que fazem com que um carro de US$ 10 mil do Exterior chegue ao País custando US$ 26 mil. Mello afirma que as montadoras nacionais tomam uma posição "contraditória" ao reajustar preços diante da retração do mercado.Segundo ele, as fabricantes de importados tiveram importância no desenvolvimento da indústria na última década e querem contribuir com o debate sobre a crise estrutural pela qual passa o setor automotivo, atualmente sofrendo com ociosidade média de 40% na produção. Ele lembra que, a partir de 1990, com a abertura do mercado para os importados, muitas fabricantes internacionais conheceram o País e acabaram por abrir fábricas por aqui, como a Renault, Peugeot e outras. "Além disso, a entrada dos importados foi importante para dar um salto tecnológico ao setor no Brasil; ", lembra Mello. "Os importados criaram um contraponto com os veículos nacionais e as montadoras locais foram obrigadas a produzir produtos de classe mundial".

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