Importar energia do Uruguai se refletirá na tarifa, diz presidente da Eletrobras

País inaugurou um parque eólico neste sábado, um investimento de US$ 103 mi, dos quais US$ 23,5 mi foram bancados pela Eletrobras

RAFAEL MORAES MOURA, ENVIADO ESPECIAL, Estadão Conteúdo

28 Fevereiro 2015 | 19h49

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse neste sábado, 28, que importar energia do Uruguai será algo vantajoso para o Brasil, o que se refletirá no preço da tarifa praticado no País. O comentário foi feito antes de os presidentes José Mujica e Dilma Rousseff inauguraram o parque eólico de Artilleros, o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior.

Segundo a Eletrobras, a energia produzida pelo parque se destinará ao sistema elétrico do Uruguai, mas a capacidade instalada naquele país vai permitir que a geração de excedentes de energia sejam intercambiados com o sistema elétrico brasileiro. O investimento do projeto é de US$ 103 milhões, dos quais US$ 23,5 milhões foram bancados pela Eletrobras - o restante foi pago pela estatal uruguaia UTE e pela Corporación Andina de Fomento.

Atualmente, a interconexão elétrica existente entre os dois países permite um intercâmbio de até 70 MW. Esse intercâmbio poderá ser aumentado em 500 MW, com a finalização de uma nova linha de transmissão entre Brasil e Uruguai, prevista para o primeiro semestre.

"Essa energia pode ir para o Brasil com as novas interligações. A partir de maio a linha estará disponível para esse intercambio de energia. Sem dúvida que isso vai ajudar (o consumidor brasileiro), porque essa importação (de energia do Uruguai) vai ser feita somente se o preço ofertado for menor do que as térmicas mais caras que estão operando no Brasil", comentou o presidente da Eletrobras.

"No fundo há vantagem, que se reflete no preço da tarifa de energia, sim. Essa energia que vamos gerar aqui pertence ao Uruguai. O Uruguai terá disponibilidade e com isso essa energia vai ser ofertada para o Brasil, e isso é muito bom", completou.

Reajuste. Nesta sexta-feira, 27, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste nas contas de luz com aumento médio de 23,4% para os consumidores de todo o País a partir de segunda-feira. Durante uma rápida entrevista concedida a jornalistas, a presidente Dilma Rousseff disse neste sábado que "é "impossível achar que a tarifa de energia decorre de erros".

"A tarifa de energia decorre das chuvas. Quando aumenta a chuva, diminui a tarifa de energia porque entra a energia hidrelétrica. Quando diminui a chuva, diminui a energia hidrelétrica e aí a gente tem de contratar térmica. E térmica é mais cara, porque você paga aquilo que produz a térmica. Você paga o gás, você paga o carvão", afirmou. "E quando é água que você está usando para produzir a energia, você não paga a água. Ela é gratuita."

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