Imposto de Renda fica menor com nova tabela

Desconto feito diretamente nos salários será reduzido a partir deste mês e aumenta o número de contribuintes que serão isentos do IR

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2007 | 00h00

Além do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que vai liberar para o setor privado cerca de R$ 40 bilhões, 2008 começa com mais um alívio tributário: a correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).Com o ajuste, o desconto mensal nos salários ficará um pouco menor. A mudança também será sentida na declaração do IR. Mais de 23 milhões de contribuintes fazem a declaração de ajuste anual. Com o reajuste, que é igual à meta de inflação prevista para este ano, o limite de isenção do IR subirá dos atuais R$ 1.313,69 para R$ 1.372,81. Dessa forma, um número maior de contribuintes deixará de ter o imposto retido diretamente na fonte. A alíquota de 15% passa a incidir sobre quem ganha de R$ 1.372,82 até R$ 2.743,25 (antes era de R$ 1.313,70 a R$ 2.625,12) e a de 27,5% vai recair sobre quem ganha acima de R$ 2.743,25. Assim, uma pessoa que ganha R$ 2 mil, e não tem dependentes, terá uma economia mensal de R$ 8,86. Para quem ganha R$ 5 mil e também não tem dependentes a economia com a nova tabela será de R$ 23,63 mensais.Quando o contribuinte tem dependentes, a economia de Imposto de Renda será ligeiramente maior, já que o valor que pode ser deduzido por dependente também foi corrigido, passando de R$ 132,05 para R$ 137,99.ACORDOA nova tabela foi publicada ontem no Diário Oficial da União por meio da Instrução Normativa 803 da Receita Federal. O reajuste na tabela do IRPF foi parte de um acordo firmado entre governo e centrais sindicais, no âmbito das negociações em torno do salário mínimo para 2007, que subiu para R$ 380. A correção de 4,5% também será feita nos anos de 2009 e 2010, o que elevará a faixa de isenção do IRPF para R$ 1.499,15. A renúncia fiscal prevista para este ano por conta desse reajuste é de R$ 1,375 bilhão, subindo para R$ 1,5 bilhão em 2009 e R$ 1,635 bilhão no ano seguintes. Somadas as correções de 2007 a 2010, a renúncia fiscal acumulada é de R$ 5,7 bilhões.Embora nos casos individuais a correção da tabela do IRPF e o fim da CPMF pareçam ter pouco impacto em termos de renda disponível, no conjunto significarão uma elevada transferência de dinheiro do governo para o setor privado, o que pode acelerar o crescimento econômico. No primeiro caso, o impacto é direto no bolso dos trabalhadores formais e, no segundo, além de pessoas físicas, as empresas serão beneficiadas.O Diário Oficial de ontem também trouxe uma portaria do Ministério da Previdência Social que revoga o desconto de 0,38% na contribuição previdenciária da parcela dos segurados do INSS com renda mais baixa. O desconto era a forma de fazer valer a isenção de CPMF para quem ganhava até R$ 1.140,00, mas como o tributo deixa de existir a partir de hoje, esse abatimento desaparece. Com isso, a contribuição terá ligeiro aumento. A portaria também revogou o acréscimo relativo à CPMF nos benefícios pagos. Nesse caso, os benefícios terão uma pequena redução.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.