Impostos retêm mais da metade do PIB formal do País

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou hoje, em São Paulo, estudo que mostra que no ano passado o total de impostos recolhidos pelas três esferas de governo (municipal, estadual e federal) representou 50,7% do PIB do setor formal da economia. Ou seja, a cada R$ 2,00 produzidos por empresas formais e consumidos por assalariados, mais de R$ 1,00 foi para o governo.Segundo cálculos da entidade, o PIB do setor formal no ano passado foi de cerca de R$ 950 bilhões, ou seja, mais de dois terços do PIB total, que inclui o lado informal da economia (empresas e trabalhadores sem registro), que atingiu R$ 1,3 bilhão. O total de impostos arrecadados, então, representou 36,45% sobre o PIB total e 50,7% sobre o PIB da economia formal.Carga tributária potencialO Instituto informou ainda que a carga tributária potencial da economia do País é de 51,48% do PIB. Segundo o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, esse teria sido o montante recolhido no anoPassado, caso não houvesse sonegação e inadimplência de tributos e impostos (a renúncia fiscal, estimada em R$ 150 bilhões, não entra no cálculo). Por esses dois motivos, o governo deixou de arrecadar R$ 226 bilhões, estima o estudo do IBPT.De acordo com o levantamento, o INSS e o FGTS são os impostos mais sonegados: 51,02% cada, estima o estudo. Em seguida vem o ICMS, de âmbito estadual, que tem sonegação estimada de 28,02%, segundo o instituto. O ranking da inadimplência verificado pelo IBPT é o mesmo: INSS com 18,71%, FGTS com igual percentual e ICMS com 18,68%. Nos dois casos, o Imposto de Renda vem em quarto, com 26,77% de sonegação e 17,85% de inadimplência.PropostaO Instituto vai propor ao governo, provavelmente na próxima semana, a mudança dos prazos de recolhimento de alguns tributos para desonerar as empresas, que poderiam gastar menos com financiamentos bancários para capital de giro. O Instituto estima que hoje as empresas gastem, em média, 7% do faturamento com o custo do dinheiro financiado para pagar impostos, tributos e contribuições. Isso porque há um descasamento entre a antecipação dos recolhimentos, feita em média em 28,4 dias, e o faturamento das vendas,que leva cerca de 42 dias, em média.

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