'Impostos sobre eletrônicos sufocam a inovação no Brasil'

Promovida pela Associação de Eletrônicos de Consumo dos Estados Unidos, a feira CES é a mais conhecida vitrine de novidades eletrônicas do mundo. Realizada anualmente em Las Vegas, reúne desde os gigantes da tecnologia a pequenas startups.

Entrevista com

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2013 | 02h07

O presidente executivo da associação é Gary Shapiro, advogado de formação, autor de livros e colunista da Forbes e do site Huffington Post. Seu segundo livro, Ninja Innovation: The Ten Killer Strategies of the World's Most Successful Businesses foi lançado em janeiro nos Estados Unidos. Shapiro vem ao Brasil para falar na conferência The Next Web, no dia 28 de agosto, em São Paulo. Ele conversou com o Estado por telefone:

Quando olha para o setor eletrônicos no Brasil, o sr. vê inovação?

O Brasil é o segundo maior mercado para produtos eletrônicos de consumo e tem havido muito crescimento em tecnologia e inovação no País. Um problema sério são as tarifas impostas pelo governo brasileiro, que pretendem ajudar a inovação local, mas acabam por sufocá-la. As ferramentas para a inovação - como computador, tablet, smartphone - são muito caras então há uma barreira no Brasil que é mais alta do que em qualquer outro país. Organizamos a maior feira de inovação mundial na CES todo ano e não há muitas empresas brasileiras expondo lá. Por outro lado, tivemos cerca de 600 visitantes do País.

O que é preciso para ter uma startup de sucesso?

Nos Estados Unidos, as startups são encorajadas mesmo quando falham. A opinião geral é de que você aprende algo quando falha. Este é o primeiro passo. O segundo é uma política de impostos e de incentivos para investimentos em startups. O terceiro ponto é um ambiente ou uma atitude adequados para promover startups, em termos de como o governo as trata. Existem várias maneiras de se medir isso, como o tempo que leva para começar um negócio, quantos alvarás você precisa para criar uma empresa, etc. Outra medida é se existem polos incubadores de inovação.

Em relação a produtos, quais tendências o sr. vê para os smartphones?

Grande crescimento no uso da biometria como recurso de segurança e como ferramenta para monitorar a saúde. Em breve, recursos assim serão padrão nos smartphones. Também acho que a capacidade e os aplicativos crescem tanto e de tantas maneiras que viraram essenciais. Estamos falando de smartphones que identificam o dono apenas estando próximos. E se não for o dono, ele para de funcionar. É uma extensão do corpo.

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