Imprensa argentina acompanha protestos com cautela

A imprensa argentina mudou o tom da cobertura dos protestos no país. Os canais de televisão têm se mostrado bastante cautelosos antes de começar a emitir imagens ao vivo dos panelaços supostamente para não incitar os telespectadores a integrarem os protestos. As emissoras de televisão têm transmitido ao vivo somente as manifestações com maior representatividade, cujas dimensões não podem ser ignoradas. Aparentemente, foi abandonado o tom quase que incentivador demonstrado nos dois grandes panelaços que provocaram a renúncia de Fernando de la Rúa e, posteriormente, de Adolfo Rodríguez Saá.Esta mudança é percebida principalmente em relação aos movimentos iniciados à noite, origem dos panelaços das renúncias. No último deles, na sexta-feira passada, os protestos com uso de panelas voltaram com toda força em diversos bairros da capital federal, os mesmos que inauguraram a nova onda dos protestos no país, no dia 23 de dezembro passado. As TVs somente começaram a transmitir as primeiras imagens cerca de duas horas depois, quando o barulho das panelas, dos apitos, gritos e buzinas já se escutava em quase toda a capital, reivindicando a renúncia da Corte Suprema, que havia decidido contra a liberação dos depósitos.Os protestos pré-convocados também não estão sendo anunciados pela imprensa. Nenhum jornal ou emissora de TV dá notícias sobre a passeata e a concentração em frente ao Banco Central convocada para hoje. A convocação foi feita ontem durante o panelaço do bairro de Flores, organizado por comerciantes e moradores.A precaução, que sugere uma alta preocupação dos meios de comunicação com o rumo do país diante dos sinais de convulsão social, não chegou ao ponto de evitar que a informação sobre os protestos, que vão de norte ao sul do país, seja veiculada. Somente parece haver um certo cuidado para não estimular protestos.Leia o especial

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